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terça-feira, 15 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
A GLÓRIA DAS IGREJAS E A GLÓRIA DE DEUS
DIOGO HENRIQUE DE SÁ
“Por amor de mim, por amor de mim o farei, porque, como seria profanado o meu nome? E a minha glória não a darei a outrem.” (Isaías 48.11).
Há alguns anos atrás, durante uma reunião de domingo, na igreja onde eu congregava, escutei de um Seminarista a seguinte frase: “Eu sou membro da gloriosa Assembléia de Deus!”, naquela época eu era muito jovem para pensar nas implicações desta frase. Alguns dias atrás, no entanto, ouvi de um amigo, bem mais velho e que também estava naquela reunião, a mesma frase.
Estranhamente estes verdadeiros chavões, que visam supervalorizar algumas denominações e seus líderes, brotam dos lábios ingênuos da maioria dos cristãos sem o menor intendimento.
Há alguns anos atrás, durante uma reunião de domingo, na igreja onde eu congregava, escutei de um Seminarista a seguinte frase: “Eu sou membro da gloriosa Assembléia de Deus!”, naquela época eu era muito jovem para pensar nas implicações desta frase. Alguns dias atrás, no entanto, ouvi de um amigo, bem mais velho e que também estava naquela reunião, a mesma frase.
Estranhamente estes verdadeiros chavões, que visam supervalorizar algumas denominações e seus líderes, brotam dos lábios ingênuos da maioria dos cristãos sem o menor intendimento.
Passei a refletir mais sobre essa e outras frases, deste tipo, que permeiam o “evangeliquês” (dialeto, quase incompreensivo, pronunciado por membros de denominações ditas evangélicas) Já ouvi de tudo*:
- “Sou Pentecostal até o tutano!”
- “Aqueles Batistas desviados!”
- “Aqueles Tradicionais Geladões!”
- “R.R. Soares, o Homem que abençoa o mundo!”
- “Nossa Igreja é mais abençoada, pois temos um Apóstolo!”
- “Eu sou a Voz profética de Deus no Brasil” (Silas Malafaia falando de si mesmo).
Analisando essas frases podemos perceber que existe algo de muito errado acontecendo dentro das denominações (não estou usando o termo igreja propositalmente), ao que tudo indica a Igreja que saiu da Reforma perdeu, tanto quanto a sua antecessora (Igreja Católica Romana), o foco de quem é o Senhor. Isso é compreensível já que os “crentes” não se interessam muito pela Bíblia (Inclusive isto é constatado através de pesquisas). Na verdade só lemos pequenos trechos fora do contexto várias vezes, e normalmente quando faz parte da leitura oficial da “Campanha”, sei que esta é uma Verdade Inconveniente (uma vez disse a uma pessoa “evangélica” que ela deveria ler a Bíblia, meu Deus, foi pior que xingar a mãe vi a fisionomia da pessoa mudar de ódio), porém isso já foi percebido inclusive pelas seitas, os Testemunhas de Jeová falam sobre nossa inadequação com relação a Palavra de Deus.
Mas voltando a falar sobre: Quem é o Senhor? Existe uma dupla consideração que precisamos fazer sobre esse tema:
1ª) Nós não sabemos quase nada sobre Jesus – Fiquei chocado um dia quando, ensinando na Escola Bíblica, disse que Jesus existe antes mesmo da fundação do mundo e uma das irmãs, muito piedosa, me perguntou como isso era possível se Jesus nasceu da Maria? Eu expliquei sobre a Eternidade de Jesus e sobre a sua primeira vinda e a irmã ficou maravilhada, em vários anos de “convertida” nunca alguém havia ensinado isso a ela. Isso revela algo que talvez nunca tenha te ocorrido: não conhecemos Jesus de verdade.
2ª) Apesar de dizermos que Jesus é o Senhor, nos comportamos como se nós fossemos o senhor de Jesus – Podemos perceber essa conduta nos templos, através dos mensageiros da prosperidade que nos encorajam a encurralar Jesus na parede e exigirmos a restituição de tudo aquilo que perdemos. Dentre outras coisas. Jesus virou uma espécie de Gênio da lâmpada que surge convenientemente quando chamamos por ele.
Mas quero me concentrar em outro ponto: Nós cristãos temos tirado o foco de Jesus para focalizar em tudo o que é humano. Temos levantado a “bandeira” de nossa Denominação como se a Cruz fosse, já não podemos, como Moisés, dizer “Jeová Nissi” pois a nossa Bandeira tem sido a Placa de nossa denominação e o nome do nosso proeminente líder.
Com relação a Frase que ouvi do seminarista veja o disparate e pense comigo: gloriosa é a Assembléia de Deus ou o Deus da assembléia?
Se Deus, conforme o texto Bíblico, não divide sua glória com ninguém como podemos dar a glória dele a outra coisa. Como podemos dividir uma glória que nem nossa é? Como pudemos ser insensíveis ao ponto de não enxergarmos os limites entre o santo e o profano? Passamos a seguir a Placa da Denominação e nos esquecemos de quem realmente importa que é Deus. Engraçado que a pessoa que faz isso nunca irá admitir que esteja deixando Deus de lado, porém, embora não admita, termina por fazê-lo na prática e é a pratica que demonstra o que somos de verdade, Tiago já falava isso a 2 mil anos atrás. Isso fica muito evidente quando se presta atenção nas Placas das denominações, isso porque seu título vai em letras garrafais, e o nome de Jesus quando aparece está com letras menores (Salvo quando o nome de Jesus é usado no título da Denominação), veja está muito clara a ordem das coisas: 1ª A denominação, depois, se der, Jesus entra na parada (isso porque as vezes para economizar espaço na placa tiramos o Seu nome dela).
Eu não sou adepto das idéias de Witness Lee, mas estou convencido que uma das piores invencionices dos Protestantes foi criar o denominacionalismo, sei que o nome facilita por questões de registro e também para demonstrar o tipo de confissão daquele grupo, porém resultou em um “nacionalismo da denominação” que chega as vezes ser parecido com o comportamento entre Judeus e Samaritanos mencionados na Bíblia: nós não nos comunicamos (membros de diferentes denominações as vezes nem se falam), atingindo ao ponto do corpo de Cristo ser mutilado e cada pedacinho tem a sua própria cabeça, que é o “Cristo a gosto do cliente”. Gosto muito de uma frase do Paulo Romero que diz: "Quem crer no Jesus errado, embarca em uma salvação errada, e pode desembarcar no céu errado".
Conheci um Pastor que Batia no peito e dizia: “sou belemita da orelha furada”, em clara menção sobre a lei vetero-testamentária que dizia que um escravo que, por amar seu senhor, quisesse ficar com ele deveria ter sua orelha furada em sinal de escravidão perpétua, veja o disparate deste pastor. O que ele está dizendo vai contra tudo o que a Bíblia ensina, pois deveríamos ser “cristãos de orelhas furadas” pois é a Ele que deveríamos servir e não a uma denominação.
Quero também corrigir um erro Crasso que cometemos a Ekklesia** – e é por isso que uso o termo denominação em lugar do termo igreja – era uma instituição Ateniense formada pelos cidadãos, eram os “chamados para Fora”, Jesus se apropriou deste nome para a sua Ekklésia formada pela assembléia de seu novo povo, assim como os atenienses, nós também fomos chamados para fora, nós somos a Igreja de Cristo. Nós criamos o conceito de “Igreja visível” e “Igreja invisível”, porém este conceito é defeituoso a Bíblia nunca autenticou esta nossa visão o exemplo disso é está em Rom. 16.5 onde Paulo saúda a Igreja que se reúne na casa de Áquila, ele não diz a “igreja de Áquila”, ele diz à “igreja que se reúne em sua casa”. A Igreja segundo Paulo eram as pessoas. Nós os que tivemos um encontro real e verdadeiro com Jesus Cristo, que fomos atraídos pelo seu irresistível amor, somos a Igreja.
Não podemos nos esquecer da supervalorização do homem, do líder. Quando estudei Apologética pelo Instituto Cristão de Pesquisas (ICP), aprendi a reconhecer as seitas através das quatro operações matemáticas***. Recordo ainda de cor sobre a divisão: “Dividem a fidelidade entre Deus e a organização. Desobedecer à organização ou à igreja equivale a desobedecer a Deus. Não existe salvação fora do seu sistema religioso.”
Que coisa mais interessante isso vem acontecendo em quase todas as denominações Evangélicas, principalmente as neo-pentecostais criamos uma supervalorização do líder, como se ele fosse o próprio Deus na terra. Eu sempre pensei que Jesus era o abençoador do mundo, mas Descobri que ele perdeu o reinado para o R.R.Soares, o Edir Macedo tem seus clones espalhados por todo o país (fiquei pasmo ao ver como conseguem imitar o timbre de voz), Marco Feliciano não fica pra traz ta cheio de gente imitando o cara, o pessoal do Valdomiro faz fila pra pegar o lencinho com o seu suor “sacro-santo” (ah esse me dá nojo), Ezequiel Pires tem a visão de raio X, Silas Malafaia é o auto proclamado “Profeta de Deus”, pensei que o ultimo profeta foi João Batista (ah já sei talvez Jesus tenha mentido né???). Agora pare um segundo pense pelo amor de Deus, quem são esses homens não são ninguém, João disse:” Importa que ele cresce e eu Diminua”, mas esses e outros homens estão dizendo: importa que eu cresça e Ele que se vire. O Prof. Leandro Villela**** disse em um dos seus vídeos que as pessoas lhe enviam mensagens dizendo que não admitem que ele fale mal de um ou outro pastor, mas estranhamente não vê estas pessoas entrando em sites ateus e dizendo que não admitem que ninguém fale mal de Jesus, é inegável a algo de muito errado acontecendo em nossa vida, Jesus não é mais o centro.
Fora as orações fortes que aparecem por aí e que muita gente vai atrás, isso nos leva a outra discussão quem é forte? A oração? Ou o Deus a quem a oração é dirigida? Não existe oração forte, Deus ouve a oração de uma pessoa tão bem quanto ouve de 318. Ninguém pode obrigar Deus a fazer coisa alguma, veja o Ele diz sobre isso: “terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” Ex.33.19. Ele responde a oração porque quer, porque nos ama, porém só faz quando quer. Nós não somos merecedores de nada, e Ele não tem nenhuma obrigação para conosco em relação a isso, já que nunca prometeu um mar de rosas, muito pelo contrario Jesus nos avisou: “No mundo tereis aflições, tenham bom ânimo...”.
Na verdade quem tem Glória é Deus, o Poder é Dele (Sl 62:11 “Deus falou uma vez; duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus”) tudo vem Dele estamos errados ao dividi-la com qualquer outro ser ou denominação, a Ele sempre o mais perfeito louvor. A Glória da Igreja é Cristo. Deus nunca dividiu sua glória com ninguém As denominações e os líderes inescrupulosos devem se arrepender o quanto antes, ou sua parte será com os hipócritas onde a pranto e ranger dos dentes. Quantas vezes esses líderes dizem servir a Jesus e acabam por servir-se Dele com o pretexto de O glorificarem quando na verdade quere a Glória para sí, usando-O para se auto-promoverem como “Homens de Deus”, em mais um deslize para o Antigo Testamento, já que Paulo, Pedro, Tiago, João, Timóteo, E os outros nunca usurparam esse título para si, antes se Auto proclamavam escravos de Cristo, cujo único interesse era promover, glorificar e Honrar Aquele que tudo é. Nós não temos a Glória e nós não temos a Honra, pois ela também é Dele.
A ELE A HONRA E GLÓRIA E O DOMÍNIO PELOS SÉCULOS DOS SÉCULOS!
NOTAS:
* Não vou colocar todas, pois não tenho todo o tempo do mundo, mas se você fala alguma e eu não postei não se sinta discriminado.
** Nossa palavra Igreja deriva etimologicamente da Palavra Grega Ekklesia.
*** Para uma maior orientação sobre esse tema Acesse www.icp.com.br.
- “Sou Pentecostal até o tutano!”
- “Aqueles Batistas desviados!”
- “Aqueles Tradicionais Geladões!”
- “R.R. Soares, o Homem que abençoa o mundo!”
- “Nossa Igreja é mais abençoada, pois temos um Apóstolo!”
- “Eu sou a Voz profética de Deus no Brasil” (Silas Malafaia falando de si mesmo).
Analisando essas frases podemos perceber que existe algo de muito errado acontecendo dentro das denominações (não estou usando o termo igreja propositalmente), ao que tudo indica a Igreja que saiu da Reforma perdeu, tanto quanto a sua antecessora (Igreja Católica Romana), o foco de quem é o Senhor. Isso é compreensível já que os “crentes” não se interessam muito pela Bíblia (Inclusive isto é constatado através de pesquisas). Na verdade só lemos pequenos trechos fora do contexto várias vezes, e normalmente quando faz parte da leitura oficial da “Campanha”, sei que esta é uma Verdade Inconveniente (uma vez disse a uma pessoa “evangélica” que ela deveria ler a Bíblia, meu Deus, foi pior que xingar a mãe vi a fisionomia da pessoa mudar de ódio), porém isso já foi percebido inclusive pelas seitas, os Testemunhas de Jeová falam sobre nossa inadequação com relação a Palavra de Deus.
Mas voltando a falar sobre: Quem é o Senhor? Existe uma dupla consideração que precisamos fazer sobre esse tema:
1ª) Nós não sabemos quase nada sobre Jesus – Fiquei chocado um dia quando, ensinando na Escola Bíblica, disse que Jesus existe antes mesmo da fundação do mundo e uma das irmãs, muito piedosa, me perguntou como isso era possível se Jesus nasceu da Maria? Eu expliquei sobre a Eternidade de Jesus e sobre a sua primeira vinda e a irmã ficou maravilhada, em vários anos de “convertida” nunca alguém havia ensinado isso a ela. Isso revela algo que talvez nunca tenha te ocorrido: não conhecemos Jesus de verdade.
2ª) Apesar de dizermos que Jesus é o Senhor, nos comportamos como se nós fossemos o senhor de Jesus – Podemos perceber essa conduta nos templos, através dos mensageiros da prosperidade que nos encorajam a encurralar Jesus na parede e exigirmos a restituição de tudo aquilo que perdemos. Dentre outras coisas. Jesus virou uma espécie de Gênio da lâmpada que surge convenientemente quando chamamos por ele.
Mas quero me concentrar em outro ponto: Nós cristãos temos tirado o foco de Jesus para focalizar em tudo o que é humano. Temos levantado a “bandeira” de nossa Denominação como se a Cruz fosse, já não podemos, como Moisés, dizer “Jeová Nissi” pois a nossa Bandeira tem sido a Placa de nossa denominação e o nome do nosso proeminente líder.
Com relação a Frase que ouvi do seminarista veja o disparate e pense comigo: gloriosa é a Assembléia de Deus ou o Deus da assembléia?
Se Deus, conforme o texto Bíblico, não divide sua glória com ninguém como podemos dar a glória dele a outra coisa. Como podemos dividir uma glória que nem nossa é? Como pudemos ser insensíveis ao ponto de não enxergarmos os limites entre o santo e o profano? Passamos a seguir a Placa da Denominação e nos esquecemos de quem realmente importa que é Deus. Engraçado que a pessoa que faz isso nunca irá admitir que esteja deixando Deus de lado, porém, embora não admita, termina por fazê-lo na prática e é a pratica que demonstra o que somos de verdade, Tiago já falava isso a 2 mil anos atrás. Isso fica muito evidente quando se presta atenção nas Placas das denominações, isso porque seu título vai em letras garrafais, e o nome de Jesus quando aparece está com letras menores (Salvo quando o nome de Jesus é usado no título da Denominação), veja está muito clara a ordem das coisas: 1ª A denominação, depois, se der, Jesus entra na parada (isso porque as vezes para economizar espaço na placa tiramos o Seu nome dela).
Eu não sou adepto das idéias de Witness Lee, mas estou convencido que uma das piores invencionices dos Protestantes foi criar o denominacionalismo, sei que o nome facilita por questões de registro e também para demonstrar o tipo de confissão daquele grupo, porém resultou em um “nacionalismo da denominação” que chega as vezes ser parecido com o comportamento entre Judeus e Samaritanos mencionados na Bíblia: nós não nos comunicamos (membros de diferentes denominações as vezes nem se falam), atingindo ao ponto do corpo de Cristo ser mutilado e cada pedacinho tem a sua própria cabeça, que é o “Cristo a gosto do cliente”. Gosto muito de uma frase do Paulo Romero que diz: "Quem crer no Jesus errado, embarca em uma salvação errada, e pode desembarcar no céu errado".
Conheci um Pastor que Batia no peito e dizia: “sou belemita da orelha furada”, em clara menção sobre a lei vetero-testamentária que dizia que um escravo que, por amar seu senhor, quisesse ficar com ele deveria ter sua orelha furada em sinal de escravidão perpétua, veja o disparate deste pastor. O que ele está dizendo vai contra tudo o que a Bíblia ensina, pois deveríamos ser “cristãos de orelhas furadas” pois é a Ele que deveríamos servir e não a uma denominação.
Quero também corrigir um erro Crasso que cometemos a Ekklesia** – e é por isso que uso o termo denominação em lugar do termo igreja – era uma instituição Ateniense formada pelos cidadãos, eram os “chamados para Fora”, Jesus se apropriou deste nome para a sua Ekklésia formada pela assembléia de seu novo povo, assim como os atenienses, nós também fomos chamados para fora, nós somos a Igreja de Cristo. Nós criamos o conceito de “Igreja visível” e “Igreja invisível”, porém este conceito é defeituoso a Bíblia nunca autenticou esta nossa visão o exemplo disso é está em Rom. 16.5 onde Paulo saúda a Igreja que se reúne na casa de Áquila, ele não diz a “igreja de Áquila”, ele diz à “igreja que se reúne em sua casa”. A Igreja segundo Paulo eram as pessoas. Nós os que tivemos um encontro real e verdadeiro com Jesus Cristo, que fomos atraídos pelo seu irresistível amor, somos a Igreja.
Não podemos nos esquecer da supervalorização do homem, do líder. Quando estudei Apologética pelo Instituto Cristão de Pesquisas (ICP), aprendi a reconhecer as seitas através das quatro operações matemáticas***. Recordo ainda de cor sobre a divisão: “Dividem a fidelidade entre Deus e a organização. Desobedecer à organização ou à igreja equivale a desobedecer a Deus. Não existe salvação fora do seu sistema religioso.”
Que coisa mais interessante isso vem acontecendo em quase todas as denominações Evangélicas, principalmente as neo-pentecostais criamos uma supervalorização do líder, como se ele fosse o próprio Deus na terra. Eu sempre pensei que Jesus era o abençoador do mundo, mas Descobri que ele perdeu o reinado para o R.R.Soares, o Edir Macedo tem seus clones espalhados por todo o país (fiquei pasmo ao ver como conseguem imitar o timbre de voz), Marco Feliciano não fica pra traz ta cheio de gente imitando o cara, o pessoal do Valdomiro faz fila pra pegar o lencinho com o seu suor “sacro-santo” (ah esse me dá nojo), Ezequiel Pires tem a visão de raio X, Silas Malafaia é o auto proclamado “Profeta de Deus”, pensei que o ultimo profeta foi João Batista (ah já sei talvez Jesus tenha mentido né???). Agora pare um segundo pense pelo amor de Deus, quem são esses homens não são ninguém, João disse:” Importa que ele cresce e eu Diminua”, mas esses e outros homens estão dizendo: importa que eu cresça e Ele que se vire. O Prof. Leandro Villela**** disse em um dos seus vídeos que as pessoas lhe enviam mensagens dizendo que não admitem que ele fale mal de um ou outro pastor, mas estranhamente não vê estas pessoas entrando em sites ateus e dizendo que não admitem que ninguém fale mal de Jesus, é inegável a algo de muito errado acontecendo em nossa vida, Jesus não é mais o centro.
Fora as orações fortes que aparecem por aí e que muita gente vai atrás, isso nos leva a outra discussão quem é forte? A oração? Ou o Deus a quem a oração é dirigida? Não existe oração forte, Deus ouve a oração de uma pessoa tão bem quanto ouve de 318. Ninguém pode obrigar Deus a fazer coisa alguma, veja o Ele diz sobre isso: “terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer” Ex.33.19. Ele responde a oração porque quer, porque nos ama, porém só faz quando quer. Nós não somos merecedores de nada, e Ele não tem nenhuma obrigação para conosco em relação a isso, já que nunca prometeu um mar de rosas, muito pelo contrario Jesus nos avisou: “No mundo tereis aflições, tenham bom ânimo...”.
Na verdade quem tem Glória é Deus, o Poder é Dele (Sl 62:11 “Deus falou uma vez; duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus”) tudo vem Dele estamos errados ao dividi-la com qualquer outro ser ou denominação, a Ele sempre o mais perfeito louvor. A Glória da Igreja é Cristo. Deus nunca dividiu sua glória com ninguém As denominações e os líderes inescrupulosos devem se arrepender o quanto antes, ou sua parte será com os hipócritas onde a pranto e ranger dos dentes. Quantas vezes esses líderes dizem servir a Jesus e acabam por servir-se Dele com o pretexto de O glorificarem quando na verdade quere a Glória para sí, usando-O para se auto-promoverem como “Homens de Deus”, em mais um deslize para o Antigo Testamento, já que Paulo, Pedro, Tiago, João, Timóteo, E os outros nunca usurparam esse título para si, antes se Auto proclamavam escravos de Cristo, cujo único interesse era promover, glorificar e Honrar Aquele que tudo é. Nós não temos a Glória e nós não temos a Honra, pois ela também é Dele.
A ELE A HONRA E GLÓRIA E O DOMÍNIO PELOS SÉCULOS DOS SÉCULOS!
NOTAS:
* Não vou colocar todas, pois não tenho todo o tempo do mundo, mas se você fala alguma e eu não postei não se sinta discriminado.
** Nossa palavra Igreja deriva etimologicamente da Palavra Grega Ekklesia.
*** Para uma maior orientação sobre esse tema Acesse www.icp.com.br.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Resoluções
Jonathan Edwards
Estando ciente de que sou incapaz de fazer qualquer coisa sem a ajuda de Deus; humildemente Lhe rogo que, através de sua graça, me capacite a cumprir fielmente estas resoluções, enquanto elas estiverem dentro da sua vontade, em nome de Jesus Cristo.
RESOLVI que farei tudo aquilo que seja para a maior glória de Deus e para o meu próprio bem, proveito e agrado, durante toda a minha vida.
RESOLVI que farei tudo o que sentir ser o meu dever e que traga benefícios para a humanidade em geral, não importando quantas ou quão grandes sejam as dificuldades que venha a enfrentar.
RESOLVI jamais desperdiçar um só momento do meu tempo; pelo contrário, sempre buscarei formas de torná-lo o mais proveitoso possível.
RESOLVI jamais fazer alguma coisa que eu não faria, se soubesse que estava vivendo a última hora da minha vida. RESOLVI jamais cansar de procurar pessoas que precisem do meu apoio e da minha caridade.
RESOLVI jamais fazer alguma coisa por vingança.
RESOLVI manter vigilância constante sobre a minha alimentação e aquilo que bebo, para ser sempre comedido.
RESOLVI jamais fazer alguma coisa que, se visse outra pessoa fazendo, achasse motivo justo para repreendê-la ou menosprezá-la.
RESOLVI estudar as Escrituras tão firme, constante e freqüentemente, que possa perceber com clareza que estou crescendo continuamente no conhecimento da Palavra. RESOLVI esforçar-me ao máximo para que a cada semana eu cresça na vida espiritual e no exercício da graça, além do nível em que estava na semana anterior.
RESOLVI que me perguntarei ao final de cada dia, semana, mês, ano, como e onde eu poderia ter agido melhor.
RESOLVI renovar freqüentemente a dedicação da minha vida a Deus que foi feita no meu batismo e que eu refaço solenemente neste dia.
RESOLVI, a partir deste momento e até à minha morte, jamais agir como se a minha vida me pertencesse, mas como sendo total e inteiramente de Deus.
RESOLVI que agirei da maneira que, suponho, eu mesmo julgarei ter sido a melhor e a mais prudente, quando estiver na vida futura.
RESOLVI jamais relaxar ou desistir, de qualquer maneira, na minha luta contra as minhas próprias fraquezas e corrupções, mesmo quando eu não veja sucesso nas minhas tentativas.
RESOLVI sempre refletir e me perguntar, depois da adversidade e das aflições, no que fui aperfeiçoado ou melhorado através das dificuldades; que benefícios me vieram através delas e o que poderia ter acontecido comigo, caso tivesse agido de outra maneira.
Genizah
Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/#ixzz1ucASydoy
quinta-feira, 10 de maio de 2012
CULTO AGRADÁVEIS AOS INCRÉDULOS
Um
amigo me contou o que aconteceu à sua esposa, quando se vestia em determinada
manhã. Ele observou que ela abotoou o casaco colocando o primeiro dos botões na
segunda casa e assim sucessiva- mente, por treze vezes. Por fim, descobrindo
que um dos botões havia sobrado, ela percebeu o que estivera fazendo. “Quantos
erros ela tinha cometido?”, ele se perguntou. “Um ou treze? Treze, porque ela
tinha co-metido um erro fundamental no começo.”
Este
mesmo princípio é verdadeiro no que se refere à adoração: os crentes cometem o
erro fundamental de crer que o propósito de reunirem-se aos domingos é a
evangelização. Em seguida, os crentes avaliam tudo que compõe nosso culto à luz
dos incrédulos que podem estar por acaso em nosso templo ou por terem sido
convidados. Nada deve intimidá-los, ameaçá-los ou iludi-los. E, visto que eles não
conhecem o sentido das palavras ou as melodias de nossos hinos, é recomendável
a adoração na forma de cânticos de grupos musicais. O conceito de leitura
pública de um livro que desconhecem é totalmente estranho para eles. Portanto,
se houver leitura, tem de ser bem curta. Igrejas mudam a Ceia do Senhor para
uma reunião particular no domingo pela manhã ou na quarta-feira à noite. As
orações devem ser curtas e simplistas, bem como o sermão, que deve abordar
assuntos que interessam aos incrédulos, tais como: solidão, maridos ausentes,
falta de esperança, falta de contentamento, mágoas, dificuldade de criar
adolescentes, e como lidar com tais problemas. A partir desta reunião de
domingo, os incrédulos devem sentir-se encorajados a participar de pequenos grupos
de estudo e de um curso sobre as doutrinas em que nós cremos. E somos
fortemente encorajados a acabar com a forma de adoração a Deus que temos
praticado por muitos anos.
No
entanto, todas estas idéias mudarão, se cremos que nossa adoração está centralizada
em Deus, que se revelou através da Bíblia. Nossa preocupação será agradar este
grande Deus. Como devemos nos aproximar dEle? Somente por intermédio do nome do
Senhor Jesus Cristo (temos de deixar isso bem claro); somente por meio de seu
sangue e sua justiça; depois, com confiança exultante, mas também com
reverência e piedoso temor. Quando o Filho de Deus orou, Ele mesmo se ajoelhou
na presença do Deus que é fogo consumidor. Se alguém tinha direito de ser
informal e casual com seu Pai, este alguém era Jesus de Nazaré. O Senhor Jesus
nunca magoou seu Pai, mas se prostrava quando falava com Ele. Tudo o que
fazemos e dizemos tem de ser agradável a Deus, ou seja, o Senhor Deus está
ciente até do que se passa no íntimo daqueles que ofertam pequenas moedas; Ele
se deleita com a alegria que demonstramos na administração de nossos talentos e
em tudo o que fazemos. Nosso louvor e orações precisam estar de acordo com as
Escrituras, e, acima de tudo, a Palavra pregada tem de servir ao propósito de
agradar a Deus, porque o sermão é o aspecto mais importante da adoração, visto
que através dele o Criador do universo fala a seres insignificantes. A
mensagem, tanto em seu conteúdo quanto em seu significado, deve proporcionar
aos incrédulos que foram atraídos ao culto o conceito exato a respeito de quão
glorioso Ser é o Deus vivo — Pai, Filho e Espírito Santo — terrível em seu
poder, incomparável em sua glória e extraordinariamente gracioso.
Não existe qualquer
indício de que a Igreja tem uma chamada para afagar as emoções dos incrédulos.
Os líderes da adoração não podem dizer: “Bem, sabemos que vocês não estão
interessados na vida e na morte do Senhor Jesus Cristo. Por isso, temos algo
mais para vocês”. Na verdade, não temos algo mais, além de Cristo. Temos de ser
absolutamente claros e unânimes sobre isso, na congregação e no púlpito. Se
eles não querem nosso Salvador, não podemos substituir a mensagem com maneiras
de temperarem seu casamento, assim como não podemos utilizar um culto musical,
coreografia ou regras de procedimento, para tornar mais agradável o seu
trabalho no escritório, ou oferecer um curso sobre a vida de solteiros. Tudo o
que temos a oferecer-lhes é um Profeta que os ensinará, um Cordeiro que
removerá a culpa deles e um Pastor que os guiará e os protegerá.
Nossa própria vida tem
de ser tão semelhante à de Cristo quanto possível, especialmente quando nos
reunimos. Nós nos reunimos para encorajar uns aos outros a viver como
imitadores de Deus. Precisamos ser irrepreensíveis em nosso vestir, nossa linguagem,
nosso uso do tempo, nossos relacionamentos ou mesmo em nosso humor, a fim de
sermos conhecidos como aqueles que desejam agradar o Jeová Jesus em todas as
coisas; e nosso evangelismo está fazendo com que o mundo perceba isto e saiba
por que cremos nisto. Os incrédulos descobrem que estão na companhia daqueles
que têm como objetivo principal o glorificar a Cristo.
Odiamos qualquer coisa
que não deixe isto bastante claro para eles; como, por exemplo, uma forma de
adoração vazia que não tem qualquer significado. Queremos que nossas palavras
sejam cheias de sentimentos e de afeições de temor a Deus. Linguagem popular e
simplista é menos importante do que uma linguagem com elementos mais profundos
e eficazes. Sempre ficamos comovidos quando as pessoas nos falam, de modo tão
amável e trans- parente, a respeito do Salvador e de seu amor por elas, o que
demonstra que abandonaram sua maneira frívola e irreverente de falar.
Apreciamos muito isso; e trememos no que diz respeito a quaisquer tentativas
que insistem em que nossa maneira de expressão no culto deve ser a linguagem
comum de nosso dia-a-dia. Essa linguagem pode ser correta para a comunicação
corriqueira com os outros, mas não para expressar as maravilhas de tão grande
salvação. Se o estilo e a maneira de nos expressarmos, quando nos reunimos na
presença de Deus, são aqueles mesmos que os in- crédulos ouvem entre eles, no
escritório ou em seu ambiente educacional, então, falhamos em alcançá-los. Nós,
aqueles a quem o Senhor buscou e salvou, somos sensíveis às verdadeiras
necessidades dos incrédulos. Portanto, se empregarmos qualquer coisa vulgar e
superficial, estaremos cometendo o pecado de sugerir-lhes uma deidade indigna
da atenção deles. Conseqüentemente, nossa adoração tem de ser simples,
espiritual, calorosa, reverente, substancial, caracterizada por orações
espontâneas, com hinos de mensagem profunda; uma adoração que terá como clímax
a pregação expositiva; uma adoração apoiada em formas que rapidamente obtêm
familiaridade com o que é divino; então, estes se tornam os melhores meios de
conduzir as pessoas a Deus, a quem servimos, e de impedir que a atenção delas
se prenda na observação de um pregador engenhoso que lhes esteja falando.
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Este mesmo princípio é verdadeiro no que se refere à adoração: os crentes cometem o erro fundamental de crer que o propósito de reunirem-se aos domingos é a evangelização. Em seguida, os crentes avaliam tudo que compõe nosso culto à luz dos incrédulos que podem estar por acaso em nosso templo ou por terem sido convidados. Nada deve intimidá-los, ameaçá-los ou iludi-los. E, visto que eles não conhecem o sentido das palavras ou as melodias de nossos hinos, é recomendável a adoração na forma de cânticos de grupos musicais. O conceito de leitura pública de um livro que desconhecem é totalmente estranho para eles. Portanto, se houver leitura, tem de ser bem curta. Igrejas mudam a Ceia do Senhor para uma reunião particular no domingo pela manhã ou na quarta-feira à noite. As orações devem ser curtas e simplistas, bem como o sermão, que deve abordar assuntos que interessam aos incrédulos, tais como: solidão, maridos ausentes, falta de esperança, falta de contentamento, mágoas, dificuldade de criar adolescentes, e como lidar com tais problemas. A partir desta reunião de domingo, os incrédulos devem sentir-se encorajados a participar de pequenos grupos de estudo e de um curso sobre as doutrinas em que nós cremos. E somos fortemente encorajados a acabar com a forma de adoração a Deus que temos praticado por muitos anos.
No entanto, todas estas idéias mudarão, se cremos que nossa adoração está centralizada em Deus, que se revelou através da Bíblia. Nossa preocupação será agradar este grande Deus. Como devemos nos aproximar dEle? Somente por intermédio do nome do Senhor Jesus Cristo (temos de deixar isso bem claro); somente por meio de seu sangue e sua justiça; depois, com confiança exultante, mas também com reverência e piedoso temor. Quando o Filho de Deus orou, Ele mesmo se ajoelhou na presença do Deus que é fogo consumidor. Se alguém tinha direito de ser informal e casual com seu Pai, este alguém era Jesus de Nazaré. O Senhor Jesus nunca magoou seu Pai, mas se prostrava quando falava com Ele. Tudo o que fazemos e dizemos tem de ser agradável a Deus, ou seja, o Senhor Deus está ciente até do que se passa no íntimo daqueles que ofertam pequenas moedas; Ele se deleita com a alegria que demonstramos na administração de nossos talentos e em tudo o que fazemos. Nosso louvor e orações precisam estar de acordo com as Escrituras, e, acima de tudo, a Palavra pregada tem de servir ao propósito de agradar a Deus, porque o sermão é o aspecto mais importante da adoração, visto que através dele o Criador do universo fala a seres insignificantes. A mensagem, tanto em seu conteúdo quanto em seu significado, deve proporcionar aos incrédulos que foram atraídos ao culto o conceito exato a respeito de quão glorioso Ser é o Deus vivo — Pai, Filho e Espírito Santo — terrível em seu poder, incomparável em sua glória e extraordinariamente gracioso.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
A Heresia do Egocentrismo
John
MacArthur
O egocentrismo não tem lugar na
igreja. Nem devíamos dizer isso, mas, desde o alvorecer da era apostólica até
hoje, o amor próprio em todas as suas formas tem prejudicado incessantemente a
comunhão dos santos. Um exemplo clássico e antigo de egocentrismo fora de
controle é visto no caso de Diótrefes. Ele é mencionado em 3 João 9-10, onde o
apóstolo diz: "Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de
exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. Por isso, se eu for aí,
far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras
maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos,
como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja".
Diótrefes anelava ser o
preeminente em sua congregação (talvez até mais do que isso). Portanto, ele via
qualquer outra pessoa que tinha autoridade de ensino – incluindo o apóstolo
amado – como uma ameaça ao seu poder. João havia escrito uma carta de instrução
e encorajamento à igreja, mas, por causa do desejo de Diótrefes por glória
pessoal, ele rejeitou o que o apóstolo tinha a dizer. Evidentemente, ele reteve
da igreja a carta de João. Parece que ele manteve em segredo a própria
existência da carta. Talvez ele a destruiu. Por isso, João escreveu sua
terceira epístola inspirada para, em parte, falar a Gaio sobre a existência da
carta anterior.
Na verdade, o egoísmo de Diótrefes
o tornou culpado do mais pernicioso tipo de heresia: ele rejeitou ativamente e
se opôs à doutrina apostólica. Por isso, João condenou Diótrefes em quatro
atitudes: ele rejeitou o ensino apostólico; fez acusações injustas contra um
apóstolo; foi inóspito para com os irmãos e excluiu aqueles que não concordavam
com seu desafio a autoridade de João. Em todo sentido imaginável, Diótrefes era
culpado da mais obscura heresia, e todos os seus erros eram frutos de
egocentrismo.
Em nosso estado caído, estado de
carnalidade, somos todos assediados por uma tendência para o egocentrismo. Isto
não é uma ofensa insignificante, nem um pequeno defeito de caráter, nem uma
ameaça irrelevante à saúde de nossa fé. Diótrefes ilustra a verdade de que o
amor próprio é a mãe de todas as heresias. Todo falso ensino e toda rebelião
contra a autoridade de Deus estão, em última análise, arraigados em um desejo
carnal de ter a preeminência – de fato, um desejo de reivindicar para si mesmo
aquela glória que pertence legitimamente a Cristo. Toda igreja herética que já
vimos tem procurado suplantar a verdade e a autoridade de Deus com seu próprio
ego pretensioso.
De fato, o egocentrismo é herético
porque é a própria antítese de tudo que Jesus ensinou ou exemplificou. E produz
sementes que dão origem a todas as outras heresias imagináveis.
Portanto, não há lugar para
egocentrismo na igreja. Tudo no evangelho, tudo que igreja tem de ser e tudo
que aprendemos do exemplo de Cristo golpeia a raiz do orgulho e do egocentrismo
humano.
Koinonia
As descrições bíblicas de comunhão
na igreja do Novo Testamento usam a palavra grega koinonia. O espírito
gracioso que essa palavra descreve é o extremo oposto do egocentrismo.
Traduzida diferentemente por "comunhão",
"compartilhamento", "cooperação" e
"contribuição", esta palavra é derivada dekoinos, a palavra grega que significa "comum". Ela
denota as ideias de compartilhamento, comunidade, participação conjunta,
sacrifício em favor de outros e dar de si para o bem comum.
Koinonia era uma das quatro atividades
essenciais que mantinha os primeiros cristãos juntos: "E perseveravam na
doutrina dos apóstolos e na comunhão [koinonia], no partir do pão e nas orações" (At 2.42). O
âmago da "comunhão" na igreja do Novo Testamento era culto e
sacrifício uns pelos outros, e não festividade ou funções sociais. A palavra em
si mesma deixava isso claro nas culturas de fala grega. Ela foi usada em
Romanos 15.26 para falar de "uma coleta em benefício dos pobres" (ver
também 2 Co 9.3). Em 2 Coríntios 8.4, Paulo elogiou as igrejas da Macedônia por
"participarem [koinonia] da
assistência aos santos". Hebreus 13.16 diz: "Não negligencieis,
igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação [koinonia]". Claramente, o egocentrismo é hostil à noção
bíblica de comunhão cristã.
Uns aos outros
Esse fato é ressaltado também
pelos muitos "uns aos outros" que lemos no Novo Testamento. Somos
ordenados: a amar "uns aos outros" (Jo 13.34-35; 15.12, 17); a não
julgar "uns aos outros" e ter o propósito de não por tropeço ou
escândalo ao irmão (Rm 14.13); a seguir "as coisas da paz e também as da
edificação de uns para com os outros" (Rm 14.19); a ter "o mesmo
sentir de uns para com os outros" e acolher "uns aos outros, como
também Cristo nos acolheu para a glória de Deus" (Rm 15.5, 7). Somos
instruídos a levar "as cargas uns dos outros" (Gl 6.2); a sermos
benignos uns para com os outros, "perdoando... uns aos outros" (Ef
4.32); e a sujeitar-nos "uns aos outros no temor de Cristo" (Ef
5.21). Em resumo, "Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade,
considerando cada um os outros superiores a si mesmo" (Fp 2.3).
No Novo Testamento, há muitos
mandamentos semelhantes que governam nossos relacionamentos mútuos na igreja.
Todos eles exigem altruísmo, sacrifício e serviço aos outros. Combinados, eles
excluem definitivamente toda expressão de egocentrismo na comunhão de crentes.
Cristo como cabeça de seu corpo, a igreja
No entanto, isso não é tudo. O
apóstolo Paulo comparou a igreja com um corpo que tem muitas partes, mas uma só
cabeça: Cristo. Logo depois de afirmar, enfaticamente, a deidade, a eternidade
e a proeminência absoluta de Cristo, Paulo escreveu: "Ele é a cabeça do
corpo, da igreja" (Cl 1.18). Deus "pôs todas as coisas debaixo dos
pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu
corpo" (Cl 1.22-23). Cristãos individuais são como partes do corpo,
existem não para si mesmos, mas para o bem de todo o corpo: "Todo o corpo,
bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa
cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si
mesmo em amor" (Ef 4.16).
Além disso, cada parte é
dependente de todas as outras, e todas estão sujeitas à Cabeça. Somente a
Cabeça é preeminente, e, além disso, "se um membro sofre, todos sofrem com
ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam" (1 Co 12.26).
Até aquelas partes do corpo
aparentemente insignificantes são importantes (vv. 12-20). "Deus dispôs os
membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem
um só membro, onde estaria o corpo?" (vv. 18-19).
Qualquer evidência de egoísmo é
uma traição de não somente o resto do corpo, mas também da Cabeça. Essa figura
torna o altruísmo humilde em virtude elevada na igreja – e exclui completamente
qualquer tipo de egocentrismo.
Escravos de Cristo
A linguagem de escravo do Novo
Testamento enfatiza, igualmente, esta verdade. Os cristãos não são apenas
membros de um corpo, sujeitos uns aos outros e chamados à comunhão de
sacrifício. Somos também escravos de Cristo, comprados com seu sangue,
propriedade dele e, por isso, sujeitos ao seu senhorio.
Escrevi um livro inteiro sobre
este assunto. Há uma tendência, eu receio, de tentarmos abrandar a terminologia
que a Escritura usa porque – sejamos honestos – a figura de escravo é ofensiva.
Ela não era menos inquietante na época do Novo Testamento. Ninguém queria ser
escravo, e a instituição da escravidão romana era notoriamente abusiva.
No entanto, em todo o Novo
Testamento, o relacionamento do crente com Cristo é retratado como uma relação
de senhor e escravo. Isso envolve total submissão ao senhorio dele, é claro.
Também exclui toda sugestão de orgulho, egoísmo, independência ou egocentrismo.
Está é simplesmente mais uma razão por que nenhum tipo de egocentrismo tem
lugar na vida da igreja.
O próprio senhor Jesus ensinou claramente
este princípio. Seu convite a possíveis discípulos foi uma chamada à total
autorrenúncia: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a
dia tome a sua cruz e siga-me" (Lc 9.23).
Os doze não foram rápidos para
aprender essa lição, e a interação deles uns com os outros foi apimentada com
disputas a respeito de quem era o maior, quem poderia ocupar os principais
assentos no reino e expressões semelhantes de disputas egocêntricas. Por isso,
na noite de sua traição, Jesus tomou uma toalha e uma bacia e lavou os pés dos
discípulos. Sua admoestação para eles, na ocasião, é um poderoso argumento
contra qualquer sussurro de egocentrismo no coração de qualquer discípulo:
"Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis
lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos
fiz, façais vós também" (Jo 13.14-15).
Foi um argumento do maior para o
menor. Se o eterno Senhor da glória se mostrou disposto a tomar uma toalha e
lavar os pés sujos de seus discípulos, então, aqueles que se chamam discípulos
de Cristo não devem, de maneira alguma, buscar preeminência para si mesmos.
Cristo é nosso modelo, e não Diótrefes.
Não posso terminar sem ressaltar
que este princípio tem uma aplicação específica para aqueles que estão em
posições de liderança na igreja. É um lembrete especialmente vital nesta era de
líderes religiosos que são superestrelas e pastores jovens que agem como
estrelas de rock. Se Deus chamou você para ser um presbítero ou mestre na
igreja, ele o chamou não para sua própria celebridade ou engrandecimento. Deus
o chamou a fazer isso para a glória dele mesmo. Nossa comissão é pregar não
"a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos
servos [escravos], por amor de Jesus" (2 Co 4.5).
Traduzido por:
Francisco Wellington Ferreira
Editor: Tiago Santos
Copyright © John MacArthur & Tabletalk
Copyright © Editora FIEL 2012.
Publicado originalmente na Revista Tabletalk, nº 3, Vol. 36, do ministérioLigonier.
Editor: Tiago Santos
Copyright © John MacArthur & Tabletalk
Copyright © Editora FIEL 2012.
Publicado originalmente na Revista Tabletalk, nº 3, Vol. 36, do ministérioLigonier.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir
esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que
informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de
dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.
John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e
conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley,
Califórnia, desde 1969; é presidente do Master's College and Seminary e do
ministério "Grace to You"; John e sua esposa Patrícia têm quatro
filhos e quatorze netos.
"Não
negligencieis a prática do bem e a mútua cooperação [koinonia]"
Hebreus 13.16
COMO MORREREMOS
Woody Allen, o famoso
diretor de filmes, roteirista e ator, disse certa vez: "Não tenho medo de
morrer. Só não quero estar lá quando isso acontecer". Esta citação incomum
é famosa, mas fatalmente defeituosa. Deus tem, em seu calendário, a data da
morte de cada pessoa. E não há nada que alguém possa fazer para cancelar ou
adiar este compromisso designado por Deus. "Não há nenhum homem que tenha
domínio sobre o vento para o reter; nem tampouco tem ele poder sobre o dia da
morte" (Ec 8.8).
Para milhões de
pessoas ao redor do mundo, a inevitabilidade da morte traz um sentimento de
tristeza à vida. Damien Hirst, o artista britânico conhecido internacionalmente
(cuja fortuna é estimada em mais de 300 milhões de dólares), disse ao Dayly Telegraph Review: "A morte é
definitivamente uma tema em que eu penso todos os dias... Você tenta evitar
isso, mas é uma coisa tão grande que você não pode evitar".
A Bíblia fala sobre
muitos que, "pelo pavor da morte", estão sujeitos à escravidão por
toda a vida" (Hb 2.15). Em casos inumeráveis, as algemas de tais pessoas
foram forjadas pelo temor do desconhecido. Como o professor Edgar Andrews
disse: "A incerteza gera o temor. E o temor produz escravidão mental, traz
infelicidade inescapável à vida e rouba dos homens a paz e a alegria
duradouras". No entanto, este cenário preocupante não deve incluir os
cristãos, especialmente porque eles têm a segurança de estarem "em
Cristo" (2 co 5.17), aquele que realizou o que John Owen chamou de "a
morte da morte". Quando temos um entendimento claro do que isso significa,
uma expressão resume o modo como devemos nos aproximar da morte inevitável, e
essa expressão é com
gratidão.
Primeiramente, devemos
ser gratos pelo fato de que, na providência e Deus, fomos poupados da morte até
que fomos salvos. Uma vez em minha infância e duas vezes em minha adolescência,
fui resgatado da morte. Como adolescente, quando eu estava em minha ilha nativa
de Guernsey, caí em um enorme barril de água no vinhedo onde meu pai trabalhava
e fui salvo somente porque aconteceu que um trabalhador passava por lá no
momento da queda. Anos mais tarde, eu nadava à meia-noite nos mares agitados em
frente aos rochedos da costa sul da ilha e estava em perigo de afogar-me,
quando fui resgatado por um nadador mais forte. Pouco tempo depois, escorreguei
enquanto tentava passar por um despenhadeiro; em desespero, minha mão agarrou
uma planta bastante forte para segurar-me. Se eu não tivesse sobrevivido nesses
três incidentes, não poderia ter escrito este artigo, e meu espírito estaria
agora em "abismos de trevas" (2 Pe 2.4), aguardando a sua união com
meu corpo ressurreto, para que eu seja lançado, em corpo e alma, no inferno.
Quando os discípulos
de Jesus retornaram de uma missão de pregação, regozijando-se com os resultados
admiráveis que tinham visto, Jesus lhes disse: "Alegrai-vos, não porque os
espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos
céus" (Lc 10.20). À medida que nossa vida terrena prossegue em direção ao
seu fim inevitável, devemos ser constantemente gratos pelo fato de "ter
Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Rm 5.8) e de que Deus
nos poupou até que nos trouxe à apropriação da morte e ressurreição de Cristo
realizadas em nosso favor.
Segundo, devemos ser
gratos porque temos sido preservados. O apóstolo João escreveu com o coração
entristecido a respeito daqueles que "saíram de nosso meio; entretanto,
não eram dos nossos" (1 Jo 2.19). Embora fossem membros da igreja
organizada e visível, a sua deserção mostrou que eles não tinham parte na
promessa de que "aquele que perseverar até o fim será salvo" (Mt
24.13). Quando pensamos em nossa própria vida, levando em conta não somente os
muitos "perigos, labutas e armadilhas", do hino de John Newton, mas também
dúvidas, temores, provações, tentações, defeitos, fracassos, comprometimento e
covardia, bem como as ocasiões em que caímos em algum pecado que nos assediava
"tenazmente" (Hb 12.1), quão gratos devemos ser pela bondade e
misericórdia de Deus. Quando acrescentamos a solene verdade de que cada um de
nós compartilha do testemunho de Paulo no sentido de que "em mim, isto é,
na minha carne, não habita bem nenhum" (Rm 7.18), não importando há quanto
tempo somos crentes, temos de considerar como mais do que um pequeno milagre o
fato de que temos sido preservados.
Quando visitei a
Biblioteca Billy Graham, perto de Charlotte (Carolina do Norte), o item que
mais me impressionou foi a lápide de pedra rústica que marca o sepulcro de Ruth
Bell Graham, a esposa do evangelista. Ela morreu aos 88 anos, em 14 de junho de
2007. A lápide contém uma aprazível inscrição: "Fim da Construção –
Obrigado por Tua Paciência". À medida que nos aproximamos da morte,
devemos ser constantemente gratos a Deus por sua paciência e graça
sustentadora.
Em terceiro, devemos
ser gratos pela promessa do que está adiante. Em abril de 2010, no funeral de
Malcom McLaren, empresário da banda de rock Sex Pistols, o seu carro fúnebre
estava envolvido com um dos versos de uma das canções da banda: "Muito
rápido para viver, muito rápido para morrer". McLaren havia levado uma
vida deslumbrante, caótica, glamorosa, agitada e dispendiosa. Atrás do carro
fúnebre, uma carruagem que levava os enlutados tinha um sinal que indicava o
suposto destino de McLaren: "Lugar Nenhum". Sim, a aniquilação não é
mais do que pensamento anelante e não elimina, de modo algum, a terrível
verdade de que os ímpios encaram "o castigo eterno" (Mt 25.46). Para
os cristãos, a perspectiva é maravilhosamente diferente:
Pense no que estará ausente. "E lhes enxugará dos
olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto,
nem dor, porque as primeiras coisas passaram" (Ap 21.4). Não haverá mais
tentações a enfrentarmos, cargas a levarmos, culpas a lamentarmos, doenças a
combatermos, perguntas sem resposta a desconcertar-nos, ignorância a
humilhar-nos, desejos insatisfeitos a frustrar-nos. Nada que contaminou e
maculou nossa vida na terra estará lá para nos envergonhar. Não haverá
arrependimentos, remorsos, pensamentos de coisas passadas, desapontamentos e
causas perdidas. E o melhor de tudo é que não haverá o pecado em nós para nos
infestar. Como disse J. I. Packer: "Não haverá nenhum pecado no céu, pois
aqueles que estão no céu não o terão mais em si para pecarem de alguma maneira".
Não é surpreendente que Davi tenha clamado a Deus: "Na tua presença há
plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente" (Sl 16.11).
Pense nos que estarão presentes. O céu é o lar de
"incontáveis hostes de anjos" (Hb 12.22), incluindo querubins,
serafins e arcanjos, seres que nunca pecaram e têm louvado e servido a Deus em
unidade gloriosa e harmoniosa desde o momento de sua criação. Todo o povo redimido
de Deus – uma "grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as
nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7.9) – estará no céu.
E o melhor de tudo é que o nosso
Salvador estará lá. Desde que minha querida esposa, Joyce, foi chamada para o lar, no ano
passado, tenho permanecido na certeza de que, como a sua lápide afirma, ela
está agora "com Cristo, o que é incomparavelmente melhor" (Fp 1.23),
compartilhando da inconcebível bem-aventurança desfrutada pelos "espíritos
dos justos aperfeiçoados" (Hb 12.23). Um amigo meu, cego desde os 18 anos
de idade, gosta de dizer: "A próxima pessoa que verei será Jesus". É
impossível imaginar a maravilha do que significará ver a Jesus "como ele
é" (1 Jo 3.2). No entanto, no cumprimento do plano de Deus de que seu povo
seja conformado "à imagem de seu Filho" (Rm 8.29), a Bíblia mantém
uma promessa ainda mais admirável: "Seremos semelhantes a ele" (1 Jo
3.2). Que perspectiva impressionante! Considerando as indicações de João, em 1
João 3, seremos santos como Jesus é santo, seremos justo como ele é justo,
seremos puros como ele é puro. Até os crentes mais fracos na terra serão
membros gloriosos do que D. L. Moody chamou de "a aristocracia de
santidade". Admiravelmente, não nos sentiremos inconvenientes na presença
de Cristo.
Ora, como morreremos?
Talvez não tenhamos uma jornada fácil pelo "vale da sombra da morte"
(Sl 23.4); talvez seja prolongada e dolorosa. Não importando o quanto a nossa
paciência (e a nossa fé) seja provada, devemos fazer essa jornada inevitável
com gratidão pelo fato de que por meio da insondável graça de Deus fomos salvos
da penalidade do pecado, conhecemos a bondade e a misericórdia de Deus em
preservar-nos na fé. E podemos estar seguros de que, como escreveu John Bunyan,
"a morte é apenas uma passagem de uma prisão para um palácio". Com
uma mão trêmula, apenas três dias antes de sua morte, D. Martyn Lloyd-Jones
escreveu, em um pedaço de papel, para sua esposa, Bethan, e para sua família:
"Não orem por cura. Não me impeçam de ir para a glória". Não há honra
para nosso Pai celestial quando relutamos em ir para o lar. Ironicamente, à luz
de sua opinião sobre a segurança eterna, John Wesley pôde dizer sobre os seus
primeiros metodistas: "Nosso povo morre bem". Se morrermos com um
coração grato, faremos o mesmo.
Nota:
A esposa de John Blanchard partiu para estar com o Senhor em 17 de fevereiro de
2010.
Traduzido por:
Francisco Wellington Ferreira
Editor: Tiago Santos
Copyright © John Blanchard
Copyright © Editora Fiel 2012
O
leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não
altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de
autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a
Editora Fiel.
Dr.
John Blanchard é um evangelista, apologista, autor e conferencista. Ele
reside em Banstead (Inglaterra). É o autor de inúmeros livros, incluindo
"Por que Acreditar na Bíblia", "Em Busca da Paz",
"Perguntas Cruciais", publicados pela Editora Fiel e do Best-seller Does God Believe in Atheists?
domingo, 29 de abril de 2012
Cristo a Palavra da Vida
Diogo
Henrique de Sá
Leitura:
1 João 1.1-4
“O que era desde o
princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos
contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida. (Porque a vida foi
manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida
eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); O que vimos e ouvimos,
isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa
comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. Estas coisas vos
escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.”
Quando
o Apóstolo João escreveu essas palavras (entre os anos 85-100 d.C.), ele se
dirigia há uma comunidade de cristãos que, como nós, não conheceram Cristo
pessoalmente.
Naquela
época um grupo filósofo-religioso chamado Gnósticos, havia se aproximado da
Igreja e espalhado heresias a respeito de Jesus, confundindo os irmãos. Eles
ensinavam, dentre outras coisas, que Jesus não é Deus mas sim um Aeon (um ser
espiritual que servia de intermediário entre Deus e os homens), os gnósticos
também ensinavam que o mal estava na carne, ou seja, no corpo físico. Assim
sendo, Jesus, enquanto esteve na terra, não poderia ter um corpo físico, pois
uma vez que ele era um intermediário entre Deus e os homens, não poderia ter um
corpo, pois isso significaria que ele seria um pecador.
As
implicações dos ensinos gnósticos eram muito sérias. Pois veja: Se Cristo não
teve um corpo humano, se ele não se fez homem, ele não ressuscitou, alias ele
sequer morreu. Mas se ele não ressuscitou não há esperança de ressurreição para
nós. Afinal de contas Paulo nos assegura que o fato de Jesus ter ressurgir dos
mortos é que garante a nossa ressurreição futura. Veja o que ele diz:
“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou
dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de
mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E,
se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa
fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois
testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não
ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos
não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é
vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram
em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais
miseráveis de todos os homens. Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos,
e foi feito as primícias dos que dormem. Porque assim como a morte veio por um
homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como
todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.
Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias,
depois os que são de Cristo, na sua vinda.” (1ª Cor. 15.12-23)
Na
verdade, se Jesus Cristo não morreu, sequer estamos salvos.
João
então escreve esta epístola para que, como ele mesmo diz, possamos ter
“comunhão com ele” (v.3), e a nossa “alegria seja completa” (v.4). Ele responde
dizendo: Eu estava lá. Vocês dizem saber das coisas (de fato a palavra Gnóstico
deriva da palavra grega “gnosis” que significa conhecimento,
assim os gnósticos afirmavam que seu grupo detinha o conhecimento), mas não
sabem , vocês não estavam lá como eu. João ouviu os muitos ensinos, ele ouviu a
Palavra da Vida. Jesus possuia um corpo físico, João tocou na Palavra da Vida,
suas mãos apalparam o Verbo da Vida, João reclinou em seu “colo”. Seus olhos o
viram. João viu os milagres, viu a agua se transformar em vinho, viu os mortos
ressuscitar, viu o pão se multiplicar, viu pessoas serem libertas de seus
pecados, ele próprio foi transformado por Cristo, o antigo “filho do trovão”
foi moldado à Apóstolo do Amor. João viu Jesus ser preso, viu Ele ser crucificado, viu a tumba vazia, e depois O viu
ressuscitado. Inclusive tocou nele depois da ressurreição. João sabe do que
está falando, ele estava lá. E para ele Cristo é tudo aquilo que sempre ouvimos
falar dele, Jesus era a Dádiva que estava escondida com o Pai, mas foi nos
dada, Jesus era realmente tudo aquilo que Ele próprio dizia de Si (conf.
V 2).
Hoje
em dia, da mesma forma, pessoas aparecem dizendo boçalidades a respeito de
Jesus. Em épocas de festa cristã a mídia sempre veicula diversos artigos
tentando dar uma palavra positivista a respeito de Cristo. Dizem que Ele foi um bom homem, ou um bom
mestre. Outros afirmam que ele foi um “guru”, um “iluminado”. Alguns
kardecistas afirmam que ele foi um “espírito puro”. Uma corrente dentro do
budismo afirma que ele foi um buda menor. Os Islâmicos afirmam que ele foi um
profeta menor se comparado a Maomé. A falsa ciência (porque os verdadeiros cientistas reconhecem
suas limitações, e não se aventuram no campo da Fé), afirma diversas coisas
sobre Nosso Senhor. Dizem que Ele não existiu, ou que houve um fenômeno chamado
Jesus e não uma pessoa específica, outros afirmam que ele foi só mais um fundador
de uma religião, mas não passou de uma pessoa comum.
A
respeito disso, gostaria de aproveitar uma resposta preparada por C.S.Lewis.
Lewis. Lewis afirma que só podemos ter duas concepções sobre Jesus, não existe
meio termo. Afinal Jesus fez afirmações extremamente sérias a respeito de sí
mesmo. E assim sendo, ou ele é quem diz ser, ou seja, Deus. Ou então ele é um
tipo abominável de pessoa1. Lewis acreditava que ele era Deus. João
concorda, afinal ele estava lá.
Mas
talvez você esteja pensando: mas eu não estava lá. Eu não vi a cruz, nem o
túmulo vazio. Isso me lembra uma história que lí a alguns anos atrás:
“Na Universidade de Chicago, Divinity School, em cada ano
eles têm o que chamam de “Dia Batista”, quando cada aluno deve trazer um prato
de comida e ocorre um piquenique no gramado. Nesse dia, a escola sempre convida
uma das grandes mentes da literatura no meio educacional teológico para
palestrar sobre algum assunto relacionado ao ambiente acadêmico.
Certo ano, o convidado foi Paul Tillich, que discursou,
durante duas horas e meia, no intuito de provar que a ressurreição de Jesus era
falsa. Questionou estudiosos e livros e concluiu que, a partir do momento que
não existiam provas históricas da ressurreição, a tradição religiosa da igreja
caía por terra, porque estava baseada num relacionamento com um Jesus que, de
fato, segundo ele, nunca havia ressurgido literalmente dos mortos.
Ao concluir sua teoria, Tillich perguntou à platéia se
havia alguma pergunta, algum questionamento. Depois de uns trinta segundos, um
senhor negro, de cabelos brancos, se levantou no fundo do auditório: “Dr
Tillich, eu tenho uma pergunta, ele disse, enquanto todos os olhos se voltavam
para ele. Colocou a mão na sua sacola, pegou uma maçã e começou a comer... Dr Tillich...
crunch, munch... minha pergunta é muito simples... crunch, munch... Eu nunca li
tantos livros como o senhor leu... crunch, munch... e também não posso recitar
as Escrituras no original grego... crunch, munch... Não sei nada sobre Niebuhr
e Heidegger... crunch, munch... [e ele acabou de comer a maçã] Mas tudo o que
eu gostaria de saber é: Essa maçã que eu acabei de comer... estava doce ou
azeda?
“Tillich parou por um momento e respondeu com todo o
estilo de um estudioso: ‘Eu não tenho possibilidades de responder essa questão,
pois não provei a sua maçã’.
“O senhor de cabelos brancos jogou o que restou da maçã
dentro do saco de papel, olhou para o Dr. Tillich e disse calmamente: ‘O senhor
também nunca provou do meu Jesus, e como ousa afirmar o que está dizendo?”.
Nesse momento, mais de mil estudantes que estavam participando do evento não
puderam se conter. O auditório se ergueu em aplausos. Dr. Tillich agradeceu a
platéia e, rapidamente, deixou o palco””2.
Realmente você não estava lá, como João esteve, mas você já provou de Jesus. Já provou da Paz que só Ele nos dá em meio as adversidades, já provou da alegria da salvação, da felicidade de tê-Lo em sua vida. Você percebe a mão Dele quando contempla o firmamento. O Espírito Dele testifica no seu intelecto que você pertence a Ele.
As pessoas por aí falam do que não sabem, mas
você já conheceu Jesus e Ele é tudo o aquilo que a Bíblia fala sobre Ele. O que
João diz a respeito de Jesus esta de acordo com aquilo que o restante da Bíblia
afirma sobre Cristo, e isso para nós já basta.
Se você ainda não tem a convicção dessas
verdades em sua vida. Eu lhe apresento o relato de João para que você não fique
confuso e possa ter comunhão com tantos cristãos no mundo todo. Experimente
Jesus, ele vai encher sua vida de sabor!
Referências Bibliográficas.
1- LEWIS,
C.S. O Problema do Sofrimento. Tradução Alípio de Franca Neto. São Paulo:
Editora Vida, 2006. p.29
2- .
Acesso em 05 de set. 2011.
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