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sexta-feira, 4 de maio de 2012

A Heresia do Egocentrismo



John MacArthur

O egocentrismo não tem lugar na igreja. Nem devíamos dizer isso, mas, desde o alvorecer da era apostólica até hoje, o amor próprio em todas as suas formas tem prejudicado incessantemente a comunhão dos santos. Um exemplo clássico e antigo de egocentrismo fora de controle é visto no caso de Diótrefes. Ele é mencionado em 3 João 9-10, onde o apóstolo diz: "Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja".
Diótrefes anelava ser o preeminente em sua congregação (talvez até mais do que isso). Portanto, ele via qualquer outra pessoa que tinha autoridade de ensino – incluindo o apóstolo amado – como uma ameaça ao seu poder. João havia escrito uma carta de instrução e encorajamento à igreja, mas, por causa do desejo de Diótrefes por glória pessoal, ele rejeitou o que o apóstolo tinha a dizer. Evidentemente, ele reteve da igreja a carta de João. Parece que ele manteve em segredo a própria existência da carta. Talvez ele a destruiu. Por isso, João escreveu sua terceira epístola inspirada para, em parte, falar a Gaio sobre a existência da carta anterior.
Na verdade, o egoísmo de Diótrefes o tornou culpado do mais pernicioso tipo de heresia: ele rejeitou ativamente e se opôs à doutrina apostólica. Por isso, João condenou Diótrefes em quatro atitudes: ele rejeitou o ensino apostólico; fez acusações injustas contra um apóstolo; foi inóspito para com os irmãos e excluiu aqueles que não concordavam com seu desafio a autoridade de João. Em todo sentido imaginável, Diótrefes era culpado da mais obscura heresia, e todos os seus erros eram frutos de egocentrismo.
Em nosso estado caído, estado de carnalidade, somos todos assediados por uma tendência para o egocentrismo. Isto não é uma ofensa insignificante, nem um pequeno defeito de caráter, nem uma ameaça irrelevante à saúde de nossa fé. Diótrefes ilustra a verdade de que o amor próprio é a mãe de todas as heresias. Todo falso ensino e toda rebelião contra a autoridade de Deus estão, em última análise, arraigados em um desejo carnal de ter a preeminência – de fato, um desejo de reivindicar para si mesmo aquela glória que pertence legitimamente a Cristo. Toda igreja herética que já vimos tem procurado suplantar a verdade e a autoridade de Deus com seu próprio ego pretensioso.
De fato, o egocentrismo é herético porque é a própria antítese de tudo que Jesus ensinou ou exemplificou. E produz sementes que dão origem a todas as outras heresias imagináveis.
Portanto, não há lugar para egocentrismo na igreja. Tudo no evangelho, tudo que igreja tem de ser e tudo que aprendemos do exemplo de Cristo golpeia a raiz do orgulho e do egocentrismo humano.

Koinonia
As descrições bíblicas de comunhão na igreja do Novo Testamento usam a palavra grega koinonia. O espírito gracioso que essa palavra descreve é o extremo oposto do egocentrismo. Traduzida diferentemente por "comunhão", "compartilhamento", "cooperação" e "contribuição", esta palavra é derivada dekoinos, a palavra grega que significa "comum". Ela denota as ideias de compartilhamento, comunidade, participação conjunta, sacrifício em favor de outros e dar de si para o bem comum.
Koinonia era uma das quatro atividades essenciais que mantinha os primeiros cristãos juntos: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão [koinonia], no partir do pão e nas orações" (At 2.42). O âmago da "comunhão" na igreja do Novo Testamento era culto e sacrifício uns pelos outros, e não festividade ou funções sociais. A palavra em si mesma deixava isso claro nas culturas de fala grega. Ela foi usada em Romanos 15.26 para falar de "uma coleta em benefício dos pobres" (ver também 2 Co 9.3). Em 2 Coríntios 8.4, Paulo elogiou as igrejas da Macedônia por "participarem [koinonia] da assistência aos santos". Hebreus 13.16 diz: "Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação [koinonia]". Claramente, o egocentrismo é hostil à noção bíblica de comunhão cristã.

Uns aos outros
Esse fato é ressaltado também pelos muitos "uns aos outros" que lemos no Novo Testamento. Somos ordenados: a amar "uns aos outros" (Jo 13.34-35; 15.12, 17); a não julgar "uns aos outros" e ter o propósito de não por tropeço ou escândalo ao irmão (Rm 14.13); a seguir "as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros" (Rm 14.19); a ter "o mesmo sentir de uns para com os outros" e acolher "uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus" (Rm 15.5, 7). Somos instruídos a levar "as cargas uns dos outros" (Gl 6.2); a sermos benignos uns para com os outros, "perdoando... uns aos outros" (Ef 4.32); e a sujeitar-nos "uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5.21). Em resumo, "Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo" (Fp 2.3).
No Novo Testamento, há muitos mandamentos semelhantes que governam nossos relacionamentos mútuos na igreja. Todos eles exigem altruísmo, sacrifício e serviço aos outros. Combinados, eles excluem definitivamente toda expressão de egocentrismo na comunhão de crentes.

Cristo como cabeça de seu corpo, a igreja
No entanto, isso não é tudo. O apóstolo Paulo comparou a igreja com um corpo que tem muitas partes, mas uma só cabeça: Cristo. Logo depois de afirmar, enfaticamente, a deidade, a eternidade e a proeminência absoluta de Cristo, Paulo escreveu: "Ele é a cabeça do corpo, da igreja" (Cl 1.18). Deus "pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo" (Cl 1.22-23). Cristãos individuais são como partes do corpo, existem não para si mesmos, mas para o bem de todo o corpo: "Todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor" (Ef 4.16).
Além disso, cada parte é dependente de todas as outras, e todas estão sujeitas à Cabeça. Somente a Cabeça é preeminente, e, além disso, "se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam" (1 Co 12.26).
Até aquelas partes do corpo aparentemente insignificantes são importantes (vv. 12-20). "Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo?" (vv. 18-19).
Qualquer evidência de egoísmo é uma traição de não somente o resto do corpo, mas também da Cabeça. Essa figura torna o altruísmo humilde em virtude elevada na igreja – e exclui completamente qualquer tipo de egocentrismo.

Escravos de Cristo
A linguagem de escravo do Novo Testamento enfatiza, igualmente, esta verdade. Os cristãos não são apenas membros de um corpo, sujeitos uns aos outros e chamados à comunhão de sacrifício. Somos também escravos de Cristo, comprados com seu sangue, propriedade dele e, por isso, sujeitos ao seu senhorio.
Escrevi um livro inteiro sobre este assunto. Há uma tendência, eu receio, de tentarmos abrandar a terminologia que a Escritura usa porque – sejamos honestos – a figura de escravo é ofensiva. Ela não era menos inquietante na época do Novo Testamento. Ninguém queria ser escravo, e a instituição da escravidão romana era notoriamente abusiva.
No entanto, em todo o Novo Testamento, o relacionamento do crente com Cristo é retratado como uma relação de senhor e escravo. Isso envolve total submissão ao senhorio dele, é claro. Também exclui toda sugestão de orgulho, egoísmo, independência ou egocentrismo. Está é simplesmente mais uma razão por que nenhum tipo de egocentrismo tem lugar na vida da igreja.
O próprio senhor Jesus ensinou claramente este princípio. Seu convite a possíveis discípulos foi uma chamada à total autorrenúncia: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me" (Lc 9.23).
Os doze não foram rápidos para aprender essa lição, e a interação deles uns com os outros foi apimentada com disputas a respeito de quem era o maior, quem poderia ocupar os principais assentos no reino e expressões semelhantes de disputas egocêntricas. Por isso, na noite de sua traição, Jesus tomou uma toalha e uma bacia e lavou os pés dos discípulos. Sua admoestação para eles, na ocasião, é um poderoso argumento contra qualquer sussurro de egocentrismo no coração de qualquer discípulo: "Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13.14-15).
Foi um argumento do maior para o menor. Se o eterno Senhor da glória se mostrou disposto a tomar uma toalha e lavar os pés sujos de seus discípulos, então, aqueles que se chamam discípulos de Cristo não devem, de maneira alguma, buscar preeminência para si mesmos. Cristo é nosso modelo, e não Diótrefes.
Não posso terminar sem ressaltar que este princípio tem uma aplicação específica para aqueles que estão em posições de liderança na igreja. É um lembrete especialmente vital nesta era de líderes religiosos que são superestrelas e pastores jovens que agem como estrelas de rock. Se Deus chamou você para ser um presbítero ou mestre na igreja, ele o chamou não para sua própria celebridade ou engrandecimento. Deus o chamou a fazer isso para a glória dele mesmo. Nossa comissão é pregar não "a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos [escravos], por amor de Jesus" (2 Co 4.5).

Traduzido por: Francisco Wellington Ferreira
Editor: Tiago Santos
Copyright © John MacArthur & Tabletalk
Copyright © Editora FIEL 2012.

Publicado originalmente na Revista Tabletalk, nº 3, Vol. 36, do ministérioLigonier.
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master's College and Seminary e do ministério "Grace to You"; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos.
"Não negligencieis a prática do bem e a mútua cooperação [koinonia]"
Hebreus 13.16

COMO MORREREMOS



Woody Allen, o famoso diretor de filmes, roteirista e ator, disse certa vez: "Não tenho medo de morrer. Só não quero estar lá quando isso acontecer". Esta citação incomum é famosa, mas fatalmente defeituosa. Deus tem, em seu calendário, a data da morte de cada pessoa. E não há nada que alguém possa fazer para cancelar ou adiar este compromisso designado por Deus. "Não há nenhum homem que tenha domínio sobre o vento para o reter; nem tampouco tem ele poder sobre o dia da morte" (Ec 8.8).
Para milhões de pessoas ao redor do mundo, a inevitabilidade da morte traz um sentimento de tristeza à vida. Damien Hirst, o artista britânico conhecido internacionalmente (cuja fortuna é estimada em mais de 300 milhões de dólares), disse ao Dayly Telegraph Review: "A morte é definitivamente uma tema em que eu penso todos os dias... Você tenta evitar isso, mas é uma coisa tão grande que você não pode evitar".
A Bíblia fala sobre muitos que, "pelo pavor da morte", estão sujeitos à escravidão por toda a vida" (Hb 2.15). Em casos inumeráveis, as algemas de tais pessoas foram forjadas pelo temor do desconhecido. Como o professor Edgar Andrews disse: "A incerteza gera o temor. E o temor produz escravidão mental, traz infelicidade inescapável à vida e rouba dos homens a paz e a alegria duradouras". No entanto, este cenário preocupante não deve incluir os cristãos, especialmente porque eles têm a segurança de estarem "em Cristo" (2 co 5.17), aquele que realizou o que John Owen chamou de "a morte da morte". Quando temos um entendimento claro do que isso significa, uma expressão resume o modo como devemos nos aproximar da morte inevitável, e essa expressão é com gratidão.
Primeiramente, devemos ser gratos pelo fato de que, na providência e Deus, fomos poupados da morte até que fomos salvos. Uma vez em minha infância e duas vezes em minha adolescência, fui resgatado da morte. Como adolescente, quando eu estava em minha ilha nativa de Guernsey, caí em um enorme barril de água no vinhedo onde meu pai trabalhava e fui salvo somente porque aconteceu que um trabalhador passava por lá no momento da queda. Anos mais tarde, eu nadava à meia-noite nos mares agitados em frente aos rochedos da costa sul da ilha e estava em perigo de afogar-me, quando fui resgatado por um nadador mais forte. Pouco tempo depois, escorreguei enquanto tentava passar por um despenhadeiro; em desespero, minha mão agarrou uma planta bastante forte para segurar-me. Se eu não tivesse sobrevivido nesses três incidentes, não poderia ter escrito este artigo, e meu espírito estaria agora em "abismos de trevas" (2 Pe 2.4), aguardando a sua união com meu corpo ressurreto, para que eu seja lançado, em corpo e alma, no inferno.
Quando os discípulos de Jesus retornaram de uma missão de pregação, regozijando-se com os resultados admiráveis que tinham visto, Jesus lhes disse: "Alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus" (Lc 10.20). À medida que nossa vida terrena prossegue em direção ao seu fim inevitável, devemos ser constantemente gratos pelo fato de "ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Rm 5.8) e de que Deus nos poupou até que nos trouxe à apropriação da morte e ressurreição de Cristo realizadas em nosso favor.
Segundo, devemos ser gratos porque temos sido preservados. O apóstolo João escreveu com o coração entristecido a respeito daqueles que "saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos" (1 Jo 2.19). Embora fossem membros da igreja organizada e visível, a sua deserção mostrou que eles não tinham parte na promessa de que "aquele que perseverar até o fim será salvo" (Mt 24.13). Quando pensamos em nossa própria vida, levando em conta não somente os muitos "perigos, labutas e armadilhas", do hino de John Newton, mas também dúvidas, temores, provações, tentações, defeitos, fracassos, comprometimento e covardia, bem como as ocasiões em que caímos em algum pecado que nos assediava "tenazmente" (Hb 12.1), quão gratos devemos ser pela bondade e misericórdia de Deus. Quando acrescentamos a solene verdade de que cada um de nós compartilha do testemunho de Paulo no sentido de que "em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum" (Rm 7.18), não importando há quanto tempo somos crentes, temos de considerar como mais do que um pequeno milagre o fato de que temos sido preservados.
Quando visitei a Biblioteca Billy Graham, perto de Charlotte (Carolina do Norte), o item que mais me impressionou foi a lápide de pedra rústica que marca o sepulcro de Ruth Bell Graham, a esposa do evangelista. Ela morreu aos 88 anos, em 14 de junho de 2007. A lápide contém uma aprazível inscrição: "Fim da Construção – Obrigado por Tua Paciência". À medida que nos aproximamos da morte, devemos ser constantemente gratos a Deus por sua paciência e graça sustentadora.
Em terceiro, devemos ser gratos pela promessa do que está adiante. Em abril de 2010, no funeral de Malcom McLaren, empresário da banda de rock Sex Pistols, o seu carro fúnebre estava envolvido com um dos versos de uma das canções da banda: "Muito rápido para viver, muito rápido para morrer". McLaren havia levado uma vida deslumbrante, caótica, glamorosa, agitada e dispendiosa. Atrás do carro fúnebre, uma carruagem que levava os enlutados tinha um sinal que indicava o suposto destino de McLaren: "Lugar Nenhum". Sim, a aniquilação não é mais do que pensamento anelante e não elimina, de modo algum, a terrível verdade de que os ímpios encaram "o castigo eterno" (Mt 25.46). Para os cristãos, a perspectiva é maravilhosamente diferente:
Pense no que estará ausente. "E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram" (Ap 21.4). Não haverá mais tentações a enfrentarmos, cargas a levarmos, culpas a lamentarmos, doenças a combatermos, perguntas sem resposta a desconcertar-nos, ignorância a humilhar-nos, desejos insatisfeitos a frustrar-nos. Nada que contaminou e maculou nossa vida na terra estará lá para nos envergonhar. Não haverá arrependimentos, remorsos, pensamentos de coisas passadas, desapontamentos e causas perdidas. E o melhor de tudo é que não haverá o pecado em nós para nos infestar. Como disse J. I. Packer: "Não haverá nenhum pecado no céu, pois aqueles que estão no céu não o terão mais em si para pecarem de alguma maneira". Não é surpreendente que Davi tenha clamado a Deus: "Na tua presença há plenitude de alegria, na tua destra, delícias perpetuamente" (Sl 16.11).
Pense nos que estarão presentes. O céu é o lar de "incontáveis hostes de anjos" (Hb 12.22), incluindo querubins, serafins e arcanjos, seres que nunca pecaram e têm louvado e servido a Deus em unidade gloriosa e harmoniosa desde o momento de sua criação. Todo o povo redimido de Deus – uma "grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas" (Ap 7.9) – estará no céu.
E o melhor de tudo é que o nosso Salvador estará lá. Desde que minha querida esposa, Joyce, foi chamada para o lar, no ano passado, tenho permanecido na certeza de que, como a sua lápide afirma, ela está agora "com Cristo, o que é incomparavelmente melhor" (Fp 1.23), compartilhando da inconcebível bem-aventurança desfrutada pelos "espíritos dos justos aperfeiçoados" (Hb 12.23). Um amigo meu, cego desde os 18 anos de idade, gosta de dizer: "A próxima pessoa que verei será Jesus". É impossível imaginar a maravilha do que significará ver a Jesus "como ele é" (1 Jo 3.2). No entanto, no cumprimento do plano de Deus de que seu povo seja conformado "à imagem de seu Filho" (Rm 8.29), a Bíblia mantém uma promessa ainda mais admirável: "Seremos semelhantes a ele" (1 Jo 3.2). Que perspectiva impressionante! Considerando as indicações de João, em 1 João 3, seremos santos como Jesus é santo, seremos justo como ele é justo, seremos puros como ele é puro. Até os crentes mais fracos na terra serão membros gloriosos do que D. L. Moody chamou de "a aristocracia de santidade". Admiravelmente, não nos sentiremos inconvenientes na presença de Cristo.
Ora, como morreremos? Talvez não tenhamos uma jornada fácil pelo "vale da sombra da morte" (Sl 23.4); talvez seja prolongada e dolorosa. Não importando o quanto a nossa paciência (e a nossa fé) seja provada, devemos fazer essa jornada inevitável com gratidão pelo fato de que por meio da insondável graça de Deus fomos salvos da penalidade do pecado, conhecemos a bondade e a misericórdia de Deus em preservar-nos na fé. E podemos estar seguros de que, como escreveu John Bunyan, "a morte é apenas uma passagem de uma prisão para um palácio". Com uma mão trêmula, apenas três dias antes de sua morte, D. Martyn Lloyd-Jones escreveu, em um pedaço de papel, para sua esposa, Bethan, e para sua família: "Não orem por cura. Não me impeçam de ir para a glória". Não há honra para nosso Pai celestial quando relutamos em ir para o lar. Ironicamente, à luz de sua opinião sobre a segurança eterna, John Wesley pôde dizer sobre os seus primeiros metodistas: "Nosso povo morre bem". Se morrermos com um coração grato, faremos o mesmo.

Nota: A esposa de John Blanchard partiu para estar com o Senhor em 17 de fevereiro de 2010.
Traduzido por: Francisco Wellington Ferreira

Editor: Tiago Santos
Copyright © John Blanchard
Copyright © Editora Fiel 2012
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Dr. John Blanchard é um evangelista, apologista, autor e conferencista. Ele reside em Banstead (Inglaterra). É o autor de inúmeros livros, incluindo "Por que Acreditar na Bíblia", "Em Busca da Paz", "Perguntas Cruciais", publicados pela Editora Fiel e do Best-seller Does God Believe in Atheists?

domingo, 29 de abril de 2012

Cristo a Palavra da Vida



Diogo Henrique de Sá
Leitura: 1 João 1.1-4
“O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida. (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra.”

Quando o Apóstolo João escreveu essas palavras (entre os anos 85-100 d.C.), ele se dirigia há uma comunidade de cristãos que, como nós, não conheceram Cristo pessoalmente.
Naquela época um grupo filósofo-religioso chamado Gnósticos, havia se aproximado da Igreja e espalhado heresias a respeito de Jesus, confundindo os irmãos. Eles ensinavam, dentre outras coisas, que Jesus não é Deus mas sim um Aeon (um ser espiritual que servia de intermediário entre Deus e os homens), os gnósticos também ensinavam que o mal estava na carne, ou seja, no corpo físico. Assim sendo, Jesus, enquanto esteve na terra, não poderia ter um corpo físico, pois uma vez que ele era um intermediário entre Deus e os homens, não poderia ter um corpo, pois isso significaria que ele seria um pecador.
As implicações dos ensinos gnósticos eram muito sérias. Pois veja: Se Cristo não teve um corpo humano, se ele não se fez homem, ele não ressuscitou, alias ele sequer morreu. Mas se ele não ressuscitou não há esperança de ressurreição para nós. Afinal de contas Paulo nos assegura que o fato de Jesus ter ressurgir dos mortos é que garante a nossa ressurreição futura. Veja o que ele diz:
“Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns dentre vós que não há ressurreição de mortos? E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. E assim somos também considerados como falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo, ao qual, porém, não ressuscitou, se, na verdade, os mortos não ressuscitam. Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos. Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. Porque assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo.
Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda.” (1ª Cor. 15.12-23)

Na verdade, se Jesus Cristo não morreu, sequer estamos salvos.
João então escreve esta epístola para que, como ele mesmo diz, possamos ter “comunhão com ele” (v.3), e a nossa “alegria seja completa” (v.4). Ele responde dizendo: Eu estava lá. Vocês dizem saber das coisas (de fato a palavra Gnóstico deriva da palavra grega “gnosis” que significa conhecimento, assim os gnósticos afirmavam que seu grupo detinha o conhecimento), mas não sabem , vocês não estavam lá como eu. João ouviu os muitos ensinos, ele ouviu a Palavra da Vida. Jesus possuia um corpo físico, João tocou na Palavra da Vida, suas mãos apalparam o Verbo da Vida, João reclinou em seu “colo”. Seus olhos o viram. João viu os milagres, viu a agua se transformar em vinho, viu os mortos ressuscitar, viu o pão se multiplicar, viu pessoas serem libertas de seus pecados, ele próprio foi transformado por Cristo, o antigo “filho do trovão” foi moldado à Apóstolo do Amor. João viu Jesus ser preso, viu Ele ser crucificado,  viu a tumba vazia, e depois O viu ressuscitado. Inclusive tocou nele depois da ressurreição. João sabe do que está falando, ele estava lá. E para ele Cristo é tudo aquilo que sempre ouvimos falar dele, Jesus era a Dádiva que estava escondida com o Pai, mas foi nos dada, Jesus era realmente tudo aquilo que Ele próprio dizia de Si (conf. V 2).
Hoje em dia, da mesma forma, pessoas aparecem dizendo boçalidades a respeito de Jesus. Em épocas de festa cristã a mídia sempre veicula diversos artigos tentando dar uma palavra positivista a respeito de Cristo.  Dizem que Ele foi um bom homem, ou um bom mestre. Outros afirmam que ele foi um “guru”, um “iluminado”. Alguns kardecistas afirmam que ele foi um “espírito puro”. Uma corrente dentro do budismo afirma que ele foi um buda menor. Os Islâmicos afirmam que ele foi um profeta menor se comparado a Maomé. A falsa ciência  (porque os verdadeiros cientistas reconhecem suas limitações, e não se aventuram no campo da Fé), afirma diversas coisas sobre Nosso Senhor. Dizem que Ele não existiu, ou que houve um fenômeno chamado Jesus e não uma pessoa específica, outros afirmam que ele foi só mais um fundador de uma religião, mas não passou de uma pessoa comum.
A respeito disso, gostaria de aproveitar uma resposta preparada por C.S.Lewis. Lewis. Lewis afirma que só podemos ter duas concepções sobre Jesus, não existe meio termo. Afinal Jesus fez afirmações extremamente sérias a respeito de sí mesmo. E assim sendo, ou ele é quem diz ser, ou seja, Deus. Ou então ele é um tipo abominável de pessoa1. Lewis acreditava que ele era Deus. João concorda, afinal ele estava lá.

Mas talvez você esteja pensando: mas eu não estava lá. Eu não vi a cruz, nem o túmulo vazio. Isso me lembra uma história que lí a alguns anos atrás:

“Na Universidade de Chicago, Divinity School, em cada ano eles têm o que chamam de “Dia Batista”, quando cada aluno deve trazer um prato de comida e ocorre um piquenique no gramado. Nesse dia, a escola sempre convida uma das grandes mentes da literatura no meio educacional teológico para palestrar sobre algum assunto relacionado ao ambiente acadêmico.
Certo ano, o convidado foi Paul Tillich, que discursou, durante duas horas e meia, no intuito de provar que a ressurreição de Jesus era falsa. Questionou estudiosos e livros e concluiu que, a partir do momento que não existiam provas históricas da ressurreição, a tradição religiosa da igreja caía por terra, porque estava baseada num relacionamento com um Jesus que, de fato, segundo ele, nunca havia ressurgido literalmente dos mortos.
Ao concluir sua teoria, Tillich perguntou à platéia se havia alguma pergunta, algum questionamento. Depois de uns trinta segundos, um senhor negro, de cabelos brancos, se levantou no fundo do auditório: “Dr Tillich, eu tenho uma pergunta, ele disse, enquanto todos os olhos se voltavam para ele. Colocou a mão na sua sacola, pegou uma maçã e começou a comer... Dr Tillich... crunch, munch... minha pergunta é muito simples... crunch, munch... Eu nunca li tantos livros como o senhor leu... crunch, munch... e também não posso recitar as Escrituras no original grego... crunch, munch... Não sei nada sobre Niebuhr e Heidegger... crunch, munch... [e ele acabou de comer a maçã] Mas tudo o que eu gostaria de saber é: Essa maçã que eu acabei de comer... estava doce ou azeda?
“Tillich parou por um momento e respondeu com todo o estilo de um estudioso: ‘Eu não tenho possibilidades de responder essa questão, pois não provei a sua maçã’.
“O senhor de cabelos brancos jogou o que restou da maçã dentro do saco de papel, olhou para o Dr. Tillich e disse calmamente: ‘O senhor também nunca provou do meu Jesus, e como ousa afirmar o que está dizendo?”. Nesse momento, mais de mil estudantes que estavam participando do evento não puderam se conter. O auditório se ergueu em aplausos. Dr. Tillich agradeceu a platéia e, rapidamente, deixou o palco””2.

            Realmente você não estava lá, como João esteve, mas você já provou de Jesus. Já provou da Paz que só Ele nos dá em meio as adversidades, já provou da alegria da salvação, da felicidade de tê-Lo em sua vida. Você percebe a mão Dele quando contempla o firmamento. O Espírito Dele testifica no seu intelecto que você pertence a Ele.
As pessoas por aí falam do que não sabem, mas você já conheceu Jesus e Ele é tudo o aquilo que a Bíblia fala sobre Ele. O que João diz a respeito de Jesus esta de acordo com aquilo que o restante da Bíblia afirma sobre Cristo, e isso para nós já basta.
Se você ainda não tem a convicção dessas verdades em sua vida. Eu lhe apresento o relato de João para que você não fique confuso e possa ter comunhão com tantos cristãos no mundo todo. Experimente Jesus, ele vai encher sua vida de sabor!

Referências Bibliográficas.
1-    LEWIS, C.S. O Problema do Sofrimento. Tradução Alípio de Franca Neto. São Paulo: Editora Vida, 2006. p.29
2- . Acesso em 05 de set. 2011.

terça-feira, 24 de abril de 2012

DIFERENTES TIPOS DE SOLOS.


Diogo Henrique de Sá

“O que semeia, semeia a palavra; E, os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que foi semeada nos seus corações. E da mesma forma os que recebem a semente sobre pedregais; os quais, ouvindo a palavra, logo com prazer a recebem; Mas não têm raiz em si mesmos, antes são temporãos; depois, sobrevindo tribulação ou perseguição, por causa da palavra, logo se escandalizam. E outros são os que recebem a semente entre espinhos, os quais ouvem a palavra; Mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera. E os que recebem a semente em boa terra são os que ouvem a palavra e a recebem, e dão fruto, um a trinta, outro a sessenta, outro a cem, por um.” (Marcos 4:14-20)
“O Semeador saiu a semear....” Assim começa uma das muitas narrativas esclarecedoras contadas pelo próprio Senhor Jesus. Nesta história, Jesus nos ensina que as pessoas reagem de formas diferentes com relação ao evangelho. Conforme Jesus esse comportamento está ligado aos diferentes tipos de solos no qual a semente é depositada.
A história, que equivocadamente é chamada de parábola do semeador (pois na verdade, o foco está nos diferentes solos onde a semente cai), nos apresenta alguns elementos principais, que são a chave para compreender o ensino de Cristo. Estes elementos são: o semeador, a semente e os solos. Vejamos cada um destes elementos:
·         A Semente – É o Evangelho Santo, as Boas Notícias de salvação, a Palavra de Deus. O ser humano está morto em relação a Deus, mas Cristo morreu para pagar a dívida que tínhamos com o Deus trino, para que todo aquele que acreditar nele não morra eternamente, mas tenha vida eterna. Dessa forma Ele nos convida a entregarmos nossas vidas a Cristo pela Fé. Outra coisa que precisamos saber sobre a semente é que ela é boa.
·         O Semeador – É aquele que proclama a Palavra, as Boas Notícias de forma fiel e incansavelmente. Embora pareça descuidado o semeador cumpre as orientações do seu Senhor, que ordena: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15).
·         Os Solos – São os corações das pessoas, a mensagem cai no coração, e cada coração reage diferente ao Evangelho (é lógico que empregamos uma figura de linguagem aqui, a Mensagem de Salvação é anunciada a nós, e em nossa mente, refletimos sobre essa mensagem).
Segundo a parábola, existem quatro diferentes tipos de pessoas no que diz respeito à reação que estas têm ao entrarem contato como o Evangelho, então vejamos:
E aconteceu que semeando ele, uma parte da semente caiu junto do caminho, e vieram as aves do céu, e a comeram;” (Marcos 4:4).  O primeiro tipo de solo é aquele que ao receber a mensagem nem mesmo permite que ela germine, a dureza de seu coração permite que rapidamente Satanás retire a semente do coração. A mensagem do Evangelho de Jesus está sendo pregada dia a pós dia, em alguns púlpitos (notem que eu digo alguns, pois não é em todos os púlpitos que se proclamam a Palavra de Deus), em alguns programas de rádios, pela internet, as vezes no evangelismo pessoal. Mas muitos dos ouvintes não estão nem um pouco interessados em ouvir a mensagem de Cristo. As pessoas amam o pecado e desejam continuar nele, nem mesmo dão atenção ao trabalho do evangelista.
2º “E outra caiu sobre pedregais, onde não havia muita terra, e nasceu logo, porque não tinha terra profunda; Mas, saindo o sol, queimou-se; e, porque não tinha raiz, secou-se.(Marcos 4:5-6). Esses são aqueles que ouvem a pregação do evangelho e vão para as denominações. Ficam no meio dos jovens, das irmãs de oração, do clube dos varões. Eles gostam dos movimentos, são fogo que queimam rápido. Impressionam pelo fervor, pelo legalismo que tem aparência de piedade, em alguns casos chegam a galgar alguns cargos na congregação, muitas das vezes se tornam pregadores. Mas não possui raiz em si mesmos, não permitiram que o evangelho enraizassem ao ponto de comprometer seus corações. É muito comum nós observarmos algum jovem que “era uma benção” mas tão de repente como surgiram eles somem, e quando você ouve falar aquela árvore que parecia tão frondosa morreu (espiritualmente falando). Aquela pessoa está agora nas drogas, bebidas e toda sorte de imoralidade espiritual. Alguns ficam anos se identificando como cristãos, mas nunca conheceram a Cristo, o Evangelho não enraizou ao ponto de por a perder o coração sobrando apenas a mensagem de Cristo.
Outros por ouvirem a pregação da prosperidade, vem para a “igreja” e ficam lá enquanto tudo está bem, mas vindo as dificuldades, abandonam o barco. Para estes, estar com Jesus é se filiar a um clube (que recebe o nome de Igreja), então enquanto eles estão sendo entretidos está tudo bem, quando o entretenimento começa a ficar chato, então ta na hora de abandonar o barco. A culpa são deles que amam mais a si próprios do que Cristo, mas precisamos assumir um mea-culpa, afinal aquilo que nós pregadores às vezes pregamos não é evangelho nenhum (Cristo me livre disso). Mas na parábola a mensagem é boa, isso nos faz pensar, mesmo quando a mensagem é pregada fielmente, algumas pessoas ainda não permitem que o Evangelho enraíze em seus corações, em suas vidas. Quando a árvore é posta a prova ela não suporta, e morre.
3º E outra caiu entre espinhos e, crescendo os espinhos, a sufocaram e não deu fruto. (Marcos 4:7). Estes são aqueles que recebem a Palavra, se unem a uma denominação, se identificam com os demais cristãos, mas vivem cheios de cuidados com esse mundo. Amam o pecado, amam ter uma vida social, amam ter um estilo de vida. Estes são aqueles que se denominam cristãos, mas continuam vivendo em pecado, continuam saindo para as “baladas” gospel’s (e até não gospel). São estes que querem conformar a Cristo com o mundanismo que lhes é próprio. Nunca renunciam a nada, confundem liberdade cristã com libertinagem. Estes só aceitam um Jesus que se acomoda as suas demandas, das lacunas, do bem estar.. A árvore cresce, mas nunca dá fruto, ninguém nunca se beneficia do trabalho deles, não fazem nada pela causa do Reino, o deus deles é o próprio umbigo. As pessoas aqui relacionadas muitas das vezes se tornam pregadores, pastores, líderes, mas vivem e ensinam um evangelho materialista, bonzinho, e preocupado em atender nossos desejos. Essas árvores aparecem, fazem uma sombrinha, mas são completamente inúteis, pois nunca saciaram a fome dos outros.
4º E outra caiu em boa terra e deu fruto, que vingou e cresceu; e um produziu trinta, outro sessenta, e outro cem. (Marcos 4:8). Mas existe o solo bom, e quando o evangelho cai nesse coração, a semente se enraíza, compromete a terra, e a árvore produz muito fruto. As vidas são transformadas e beneficiam o restante da sociedade. Uma vez que a raiz se aprofunda no solo ela vai, sugando mais do ânimo não sobrando espaço para mais nada, nenhuma outra árvore cresce nesse solo. Estas pessoas reconhecem que nada vem dele mesmo, tudo vem de Cristo, Dele é a semente, e é Ele quem dá o crescimento, e somente Cristo é glorificado.
Hoje em dia, com o desenvolvimento da agricultura, essa história parece muito pueril, hoje possuímos equipamentos capaz de analisar o solo, de verificar salinidade, sonares que possibilitam a verificação do solo. Na verdade até mesmo para a época de Cristo o semeador da história é ingênuo, qualquer semeador da época sabia que não se pode jogar sementes ao esmo. Mas o que Cristo evidência nesta parábola é a simplicidade do Evangelho. Hoje em dia grupos cristãos buscam analisar qual o público alvo que queira alcançar, quais as melhores estratégias, enfim. O Reino não é assim! É a simplicidade da pregação do Evangelho para todos os lados, lançando em todas as vidas, de todos os meios possíveis.
 O resultado disso são os mais diversos, vidas transformadas e outras transtornadas, mas Cristo quis assim. Às vezes vejo pessoas escandalizadas com as coisas que vem acontecendo, porém Jesus nunca nos enganou, haveriam falsos irmãos, falsos pregadores, falsos mestres. Porém pelos frutos conhecemos a árvore, pelo fruto conhecemos o coração.
“Porque não há boa árvore que dê mau fruto, nem má árvore que dê bom fruto.
Porque cada árvore se conhece pelo seu próprio fruto; pois não se colhem figos dos espinheiros, nem se vindimam uvas dos abrolhos.”
(Lucas 6:43-44)
Enquanto isso.... o semeador deve continuar saindo a semear...
A Cristo seja a Glória

terça-feira, 17 de abril de 2012

UMA REFLEXÃO DA NOSSA REALIDADE.



“Escreve ao anjo da igreja que está em Éfeso: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete castiçais de ouro: Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos. E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. Tens, porém, isto: que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus.” (Apocalipse 2:1-7)
            
           Ao ler esta primeira carta de Jesus Cristo às igrejas da Ásia Menor, não consigo disfarçar minha inquietação diante do fato de que a igreja nesta cidade já não existe. Bom... ao que tudo indica, a Igreja ali não obteve êxito em reavaliar sua situação diante de Cristo, não conseguiu enxergar onde havia caído e, em conseqüência disso, seu braço do castiçal foi retirado. Essa constatação me faz pensar na história da Igreja, se olharmos para história veremos que nos locais onde a igreja começou e os apóstolos passaram hoje é são as regiões menos acessíveis ao Evangelho. Se dirigirmos nossos olhares para a o berço da Reforma Protestante: Alemanha, Suíça, Inglaterra, França e Escócia, teremos o mesmo vislumbre.

            A despeito dos grandes heróis da fé que passaram por essas terras, a igreja ali perdeu seu foco, tal qual os nossos irmãos em Éfeso. Isso me faz pensar sobre como isso teria acontecido? Eu indago a respeito de como os cristãos nestas regiões permitiram que a igreja dali desaparecesse? Como ninguém fez nada para reverter o quadro?
Ao observar a história contemporânea da igreja eu pude perceber que a Igreja não desaparece de uma região de uma hora para outra, pelo contrário o processo de secularização do povo de Deus é gradativo e ocorre sempre após um momento em que a comunidade cristã passa por um certo período de relevância, logo em seguida ela vai minguando até se tornar insípida, e aí para nada mais serve do que ser lançada ao chão e ser pisada pelos homens. .......

Precisamos de Homens de Deus



A. W. Tozer

Vigiai, estai firmes na fé, portai-vos varonilmente e fortalecei-vos. 
(I Cor 16.13) 

A igreja, neste momento, precisa de homens, o tipo certo de homens, homens ousados. Afirma-se que necessitamos de avivamento e de um novo movimento do Espírito; Deus, sabe que precisamos de ambas as coisas. Entretanto, Ele não haverá de avivar ratinhos. Não encherá coelhos com seu Espírito Santo.

A igreja suspira por homens que se consideram sacrificáveis na batalha da alma, homens que não podem ser amedrontados pelas ameaças de morte, porque já morreram para as seduções deste mundo. Tais homens estarão livres das compulsões que controlam os homens mais fracos. Não serão forçados a fazer as coisas pelo constrangimento das circunstâncias; sua única compulsão virá do íntimo e do alto.

Esse tipo de liberdade é necessária, se queremos ter novamente, em nossos púlpitos, pregadores cheios de poder, ao invés de mascotes. Esses homens livres servirão a Deus e à humanidade através de motivações elevadas demais, para serem compreendidas pelo grande número de religiosos que hoje entram e saem do santuário. Esse homens jamais tomarão decisões motivados pelo medo, não seguirão nenhum caminho impulsionados pelo desejo de agradar, não ministrarão por causa de condições financeiras, jamais realizarão qualquer ato religioso por simples costume; nem permitirão a si mesmos serem influenciados pelo amor à publicidade ou pelo desejo por boa reputação.

Muito do que a igreja faz em nossos dias, ela o faz porque tem medo de não fazê-lo. Associações de pastores atiram-se em projetos motivados apenas pelo temor de não se envolverem em tais projetos.

Sempre que o seu reconhecimento motivado pelo medo (do tipo que observa o que os outros dizem e fazem) os conduz a crer no que o mundo espera que eles façam, eles o farão na próxima segunda-feira pela manhã, com toda a espécie de zelo ostentoso e demonstração de piedade. A influência constrangedora da opinião pública é quem chama esses profetas, não a voz de Jeová. 

A verdadeira igreja jamais sondou as expectativas públicas, antes de se atirar em suas iniciativas. Seus líderes ouviram da parte de Deus e avançaram totalmente independentes do apoio popular ou da falta deste apoio. Eles sabiam que era vontade de Deus e o fizeram, e o povo os seguiu (às vezes em triunfo, porém mais freqüentemente com insultos e perseguição pública); e a recompensa de tais líderes foi a satisfação de estarem certos em um mundo errado. 

Outra característica do verdadeiro homem de Deus tem sido o amor. O homem livre, que aprendeu a ouvir a voz de Deus e ousou obedecê-la, sentiu o mesmo fardo moral que partiu os corações dos profetas do Antigo Testamento, esmagou a alma de nosso Senhor Jesus Cristo e arrancou abundantes lágrimas dos apóstolos. 

O homem livre jamais foi um tirano religioso, nem procurou exercer senhorio sobre a herança pertencente a Deus. O medo e a falta de segurança pessoal têm levado os homens a esmagarem os seus semelhantes debaixo de seus pés. Esse tipo de homem tinha algum interesse a proteger, alguma posição a assegurar; portanto, exigiu submissão de seus seguidores como garantia de sua própria segurança. Mas o homem livre, jamais; ele nada tem a proteger, nenhuma ambição a perseguir, nenhum inimigo a temer. Por esse motivo, ele é alguém completamente descuidado a respeito de seu prestígio entre os homens. Se o seguirem, muito bem; caso não o sigam, ele nada perde que seja querido ao seu coração; mas, quer ele seja aceito, quer seja rejeitado, continuará amando seu povo com sincera devoção. E somente a morte pode silenciar sua terna intercessão por eles. 

Sim, se o cristianismo evangélico tem de permanecer vivo, precisa novamente de homens, o tipo certo de homens. Deverá repudiar os fracotes que não ousam falar o que precisa ser externado; precisa buscar, em oração e muita humildade, o surgimento de homens feitos da mesma qualidade dos profetas e dos antigos mártires. Deus ouvirá os clamores de seu povo, assim como Ele ouviu os clamores de Israel no Egito. Haverá de enviar libertação, ao enviar libertadores. É assim que Ele age entre os homens. 

E, quando vierem os libertadores... serão homens de Deus, homens de coragem. Terão Deus ao seu lado, porque serão cuidadosos em permanecer ao lado dEle; serão cooperadores com Cristo e instrumentos nas mãos do Espírito Santo... 
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